terça-feira, 29 de maio de 2007

O Caderno

Este é o único sobrevivente de uma tetralogia que deu brado. Os restantes levaram descaminho nas mãos inconscientes e levianas das suas proprietárias.

No sexto ano, a meio do segundo período, eu, a Clara, a São e a Vanda começámos a escrever um diário a quatro mãos. Cada dia uma de nós ficava com ele, levava-o para casa e dava um avanço ao relato dos nossos dias cheios de coisinhas insignificantes que para nós tinham uma importância imensa. E, evidentemente, também escrevíamos em certas aulas mais monótonas - comigo e com a Clara era principalmente nas de História, com aquele professor que nos tinha calhado em rifa e cujo nome não vou dizer. Confesso quee não me lembro de uma única coisa que tenha aprendido com ele, mas graças a Deus no ano seguinte tivemos a sorte de ter a extraordinária Dr.ª Maria Antónia, e tudo reentrou nos eixos.

O sexto ano foi para mim e para a Clara um ano estranho. Destoávamos na turma, dávamo-nos com muito poucas pessoas: com o Duarte, com o Faneca, com o Augusto Manuel e com o Emídio, que tinha Inglês connosco. Acho que com mais ninguém. Quase todos os nossos amigos estavam na turma E - e a Vanda e a São eram as nossas melhores amigas, continuávamos a andar sempre juntas.

Aos poucos estes cadernos foram-se enchendo de historiazinhas tontas, inevitáveis nas menininhas de quinze anos que éramos. De um primeiro caderno, que julgo que terá calhado em sorteio à São, passámos a um segundo, que me calhou a mim. E que ainda conservo, como podem ver. Se a memória não me atraiçoa, a Clara ficou com o terceiro volume, que apanhava o fim do sexto ano o princípio do sétimo, e à Vanda coube o quarto e último.

Ao fim de poucos dias, este objectozinho já era alvo de cobiça, principalmente por parte dos rapazes, que morriam de curiosidade. Sempre o defendemos com unhas e dentes, mesmo nos intervalos uma de nós ficava sempre com ele - impensável deixá-lo na carteira.

Há anos, julgo que em 1999, levei-o para um jantar, e alguns excertos foram lidos em voz alta. Lembro-me de ver o Luís Branco chorar a rir, lembro-me de a Vanda estar roxa de vergonha com as partes de sua autoria que foram lidas - e em que se falava de muitos dos presentes, nem sempre nos termos mais caridosos.

Clara e Vanda! Meninas! Procurem os vossos exemplares, não acredito que os pudessem ter deitado fora! Um dia havemos de reencontrar a São e pode ser que consigamos reunir os quatro volumes deste documento histórico!


5 comentários:

Teresa disse...

Quem foi o visitante n.º 2000?

Vou instituir um prémio para o n.º 2222. Quem puder documentar a titularidade da visita (um print screen, que me enviará por mail e será aqui publicado) terá direito a prémio.

Belzebu disse...

Eu também fiz um diário lá nos quintos dos infernos mas...ardeu! Tais eram as revelações, verdadeiramente infernais!!!

eheh!! Saudações infernais!

Erecteu disse...

Há nódoas que vêm por bem :) pois aqui me trouxeram. O post é uma delícia.
Não sou um melómano, nem nada que se pareça, de qualquer forma preso o rigor. Corrigirei na medida do possível.

Fica aqui, também, o meu sincero agradecimento.

Anónimo disse...

Ploooinnng!

CORRIJO, TAMBÉM, NA MEDIDA DO POSSÍVEL: "PREZO" ESCREVE-SE COM ZZ!

Anónimo disse...

! Hombre, pues que a mi me habia parecido una broma de muy malo gusto!

!MENOS MALL!