Ora então muitos parabéns!!!O Pedro é dos mais recentes membros do grupo - mesmo assim, já vai em quase três anos... - mas é um membro entusiástico, sempre pronto para o que der e vier. Foi dos poucos que compareceram à festa de homenagem aos Professores em Novembro de 2006... Foi dos poucos que responderam logo afirmativamente ao desafio do António de passarmos um fim-de-semana já nem me lembro onde - isso, então, foi vergonhoso! A coisa só se poderia organizar com um número mínimo de pessoas... e nem esse mínimo foi atingido! Em suma: há muita Tágide e muito Adamastor com pergaminhos de antiguidade de filiação que deviam pôr os olhos no Pedro e aprender com ele. Não vou dizer nomes. Como também há gente que continua arredada dos jantares e do são convívio associativo no seio do blóguio por perrices patetas. Também não vou dizer nomes.
O Pedro tem um único problema: uma memória que deixa bastante a desejar. No primeiro jantar a que foi, ainda na fase de aquecimento dos aperitivos, foi crivado de perguntas pelos curiosos de sempre, Leninha - rainha da cusquice - e António (o João não tinha ido), que não se dava por vencido «Mas de que turma eras tu no 5.º ano?»
«Sei lá?! Lembrar-me de que andei no Liceu já é uma sorte!»
Coro de gargalhadas, claro.
Parabéns, Pedro!
P.S. Outra coisa: como vêem, preciso mesmo de renovar a provisão de fotografias, no próximo jantar o Ricardo vai voltar a estar de serviço... E continuo à espera dos vossos cartões do Liceu, de fotografias antigas, etc. etc.

34 comentários:
8 de Abril de 1975
- Os preços subiram 22% entre Janeiro de 1974 e o mesmo mês deste ano.
- O Banco de Portugal mandou aplicar uma nova política de crédito à compra de automóveis: em veículos até 100 contos, o comprador terá de pagar um terço de entrada e o restante em prestações que não podem ultrapassar um ano; em veículos de 100 a 200 contos, 50% no acto da compra; não há crédito para carros acima de 200 contos. Os importadores queixam-se e informam que não possuem carros novos a menos de 200 contos!
- “É necessária a criação de um partido político que possa englobar as forças que, até agora, colaboraram com o MFA. Não é necessário, evidentemente, englobar todos os actuais partidos da coligação, mas apenas alguns deles. Há muitos partidos em Portugal”.
(Camarada Almirante Rosa Coutinho, ao Libération, in O Século)
PLURALISMO REVOLUCIONÁRIOO!
9 de Abril de 1975
- “Os ex-ministros Moreira Baptista e Silva Cunha e o ex-director da PIDE/DGS, Silva Pais, foram transferidos para a cadeia de Peniche. O Cpocon deteve, durante a madrugada, 28 oficiais e sargentos e alguns civis, acusados de implicação no 11 de Março ou de pertencerem ao ELP. Foram levados para a antiga prisão da PIDE/DGS, em Caxias”.
(in República)
- “O camarada Vasco Gonçalves, em conferêmcia de imprensa, reafirmou a intenção do seu Governo em implantar uma economia de transição para o socialismo e informou que as bases aéreas portuguesas não serão utilizadas contra os povos árabes”.
(in O Século)
- A Inter-Comissão dos Bairros de Lata convocou, para amanhã, em Lisboa, uma concentração contra a demora na construção de torres habitacionais para as famílias “sem habitação decente”.
- O Conselho de Ministros apreciou um projecto de decreto-lei que reduz de 120 para 60 dias os prazos de arrendamento, findos os quais se consideram os fogos devolutos.
OCUPAÇÕES SELVAGENS, JÁÁ!
10 de Abril de 1975
- “Pessoalmente quero servir a construção do socialismo. E o DN vai ser um instrumento para a construção dessa linha, já adoptada pelo Conselho Superior da Revolução. Quem não estiver empenhado neste projecto, é melhor abandonar o Diário de Notícias”.
(José Saramago, na tomada de posse do cargo de director-adjunto do DN)
- A demissão da anterior direcção do Diário de Notícias, presidida por José Ribeiro dos Santos, foi feita sob pressão do plenário de trabalhadores, por aquele ter escrito um editorial condenando propostas de fuzilamentos de oficiais implicados no 11 de Março.
- “Insistir no regresso às casernas constitui uma das muitas formas de traicção criptocapitalista”.
(Camarada Coronel Leal de Almeida, comandante do RAL1, na comemoração do dia da unidade)
SOLDADOS AO LADO DO POVOO!
11 de Abril de 1975
- A direcção provisória do Sindicato dos Delegados do Procurador da República defendeu um sério saneamento a todos os níveis dos tribunais, bem como a participação popular na administração da Justiça, mediante formas de controlo como o júri e os assessores populares.
- O Conselho da Revolução suspende, por cinco dias , o tempo de antena da FEC (m-l), devido aos seus ataques ao MFA.
- É assinado o pacto entre o MFA e os partidos, cujos termos deverão integrar a futura Constituição e que estabelece a “continuação da revolução política, económica e social”.
- “Foram fixados no Pacto MFA-Partidos as bases que o MFA considera indispensáveis para que se possa iniciar em Portugal uma consulta popular eleitoral sem que o Movimento possa perder – pelos resultados acidentais de uma consulta eleitoralista feita a um povo pouco esclarecido – o seu papel de motor do processo revolucionário”.
(Camarada Almirante Rosa Coutinho, à agência ANI)
- “Não poderíamos perder por via eleitoral o que tanto tem custado a ganhar ao povo português”.
(Camarada Vasco Gonçalves, definindo o alcance do Pacto MFA-Partidos)
SUPERVISÃO DEMOCRÁTICA MILITARR!
... a profundidade da última frase é estarrecedora... I'm flabbergasted!!
Qual última frase, caro(a) Pseudónimo(a)?
Do post? (E continuo à espera dos vossos cartões do Liceu, de fotografias antigas, etc. etc. - por mais que me esforce, não vejo profundidade, grande ou pequena). Do comentário do PREC? - e nesse caso... qual? A última frase ou a saudação entre nós habitual?...
BARALHADAA!
12 de Abril de 1975
- César Oliveira, dissidente do MES, apela ao voto em branco nas próximas eleições constituintes, identificando tal voto com um voto no MFA. A Assembleia Plenária do Episcopado apela ao voto como um dever, mas esclarece que ninguém deverá votar em branco.
- “As eleições não vão representar a vontade do povo, porque ele, coitado, ainda não tem realmente o poder de análise. Nós não fizemos uma revolução para que numa parvoíce eleitoral percamos, de um momento para o outro, todos os ganhos alcançados. Seria, digamos, uma táctica de avestruz”.
(Grande democrata e camarada Almirante Rosa Coutinho, in Expresso)
- Os trabalhadores do RCP elegeram uma comissão revolucionária, que “dispõe-se a encetar um processo consequente de saneamento” e cuja missão é “ocupar totalmente o conteúdo da programação, inserindo-a no propósito inequívoco de colocar o RCP ao serviço da classe operária, das massas trabalhadoras e da construção do socialismo em Portugal”. Programas visados: CDC (Clube das Donas de Casa), Quando o Telefone Toca, Parodiantes de Lisboa e Espaço 3P.
- Os trabalhadores da Soponata reclamaram a nacionalização da empresa, juntamente com outras companhias petrolíferas e de navegação da marinha mercante; os da Ciborel (Pegões), em autogestão desde a semana passada, pediram a intervenção do Estado; os da Cooperativa do Divor, na Igrejinha (Arraiolos), ocuparam as instalações; e os da Prolivro-Bertrand, em 21º dia de ocupação das instalações da sede, explicam em comunicado os motivos por que “a partir do recrutamento para a venda do seu trabalho, por meio de anúncio cuja finalidade era a venda de literatura de fachada, por mais de 500% do seu custo, decidiram ser trabalhadores e ser considerados como tal [estavam fora do quadro] e não serventes de trampolim para a existência de parasitas”.
É FARTAR, VILANAGEMM!
Camaradas:
Como têm observado, encetou-se um processo de ocupação revolucionária deste blóguio burguês e capitalista, subserviente ao imperialismo americano.
Estamos a transformá-lo num blóguio ao serviço do Povo, escorraçando a corja fascista que durante anos se vinha servindo dele, amordaçando as vozes dos explorados, humilhados e oprimidos.
Não mais aqui teremos as vozes da burguesia serôdia das Tias Bá e Bé!
Não mais suportaremos as intervenções das forças repressivas dos Cletos!
Este blóguio é do Povo e não mais nos sujeitaremos às vontades de uma patroa!
Com a tua luta, com a nossa luta, vamos transformá-lo no Comité de Intervenção das Tágides Caducas e dos Adamastores Zarolhos (M-L)!
A LUTA CONTINUAAAA!
13 de Abril de 1975
- “O socialismo português surgirá da dialéctica Povo-MFA”.
(Camarada e educador popular Almirante Rosa Coutinho)
- “Ainda continua aberto o caminho para uma convivência pluralista, em Portugal”.
(D. Manuel Almeida Trindade, bispo de Aveiro, presidente da Conferência Episcopal)
- “No começo do regime onde vamos entrar, acho que é fundamental que as pessoas que fizeram a revolução e que têm o poder real para a impulsionar actuem decisivamente neste processo”.
(Francisco Pinto Balsemão (!!!), justificando a adesão do PPD ao Pacto MFA-Partidos, in Expresso)
- “A revolução deixou de ser uma palavra para passar a ser um facto. Não podemos entrar em saudosismos estéreis pela perda, pelo menos a curto ou a médio prazo, da democracia formal com que sonhámos... É neste contexto do que é e não do que deveria ser, que temos de analisar a existência do Partido Popular Democrático”.
(idem)
PPD A ULTRAPASSAR-SE A SI PRÓPRIOO!
14 de Abril de 1975
- São legalizadas as ocupações dos fogos devolutos, levadas a efeito para fins habitacionais (Decreto-lei nº 198-A/75).
- PCP, MDP/CDE e MES apoiaram a manifestação convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Beja, na qual foi pedida a expropriação dos latifúndios alentejanos.
- A meio da campanha eleitoral para Assembleia Constituinte, aquela é crticada pela 5ª Divisão do EMGFA: “a população portuguesa está a ser traumatizada em resultado das palavras intempestivas”.
- “Nenhum das quase quatro centenas de quadros da Legião Portuguesa está autorizado a votar no próximo dia 25”.
(in Diário Popular)
IGUALDADE DEMOCRÁTICA ELEITORALL!
Bonj diaj, boj dê Deuj Noxo Xenhor!
Regijto com agrado o fim da grebe de jelo da minha ejtimada Amiga, Menina Tereja (apejar de ela continuar a gojar com a minha pronúnxia), e xó num tenho interbindo maij bejej porque ejtou em mixão xecreta no Kojobo e além de não me deber ejpor - para oj ejpiõej num darem connojco - aj ligaxõej também num xão grande coija pelo que só com muita dificuldade e xacrifíxio tenho conxeguido acompanhar a bida do noxo tão querido blóguio.
Aliáj, oj úlimoj comentáriojs têm xido axim a modoj que com pouca graxa por mor dexe xerôdio pxeudo-reboluxionário que, qual bíruj, tem infectado aquilo que xe pretende que xeja um ejpaxo de combíbio, deixando a política e outroj temaj que geram menoj conxenxo fora de dijcuxão ou, pelo menoj, de interbenxão.
Bom, cada qual xabe de xi e xe a Xenhora Dona Adminijtradora do Blóguio rejolbeu num interbir (a meu ber, erradamente, é xerto...), quem xou eu para ejtar para aqui a perorar xobre o axunto.
Xou contra a ocupaxão por exa corja M-L, xobretudo porque elej também xão contra mim maj também porque, como muito bem bedej, foram inxidiosamente, dia apój dia, tomando conta do ejpaço e é o que xe bê.
No meu modejto entender, debemos, temoj de rejijtir a maij ejta ocupaxão xelbagem, a num xer que a Menina Tereja ejteja à espera de que, à xemelhanxa do que xe paxou no Alentejo em tempoj num muito longínquoj e bonj de ejquexer, lhe benham, daqui a meia dújia de anoj, debolber aj rejerbaj e pagarem-lhe uma choruda indemnijaxão. Xe o truque é exe, eu xó ejpero que a Menina Tereja xe num ejquexa da minha dedicaxão num xó à xua pexoa, como ao próprio blóguio, xe é que me faxo entender.
Bou agora beber um uíjque ao hotel (a bida de ejpião num é má de todo, num xenhores) e, portanto, bou ter de dar por finda esta minha colaboraxão maj quero que xaibaij que ejtou bibo, de boa xaúde, que me recomendo e, xobretudo, que ejtou dijpojto a lutar contra aj ocupaxõej xelbagenj, mormente, contra a tentatiba de ocupaxão do noxo blóguio.
Nem que xeja prexijo irmoj para a rua, como oj profexorej, que ejtão tão pobrejinhoj com aj maldadej que a Minijtra lhej tem feito que até já roubam telemóbeij aoj alunoj; ainda bem que hoube um que filmou tudo e que, axim, o Paíj inteiro pôde ficar a xaber a mijéria que bai por aquela claxe profixional. Coitadinha da Menina Aluna que, xe num tem crejcido para a Profexora, tinha ficado xem o telemóbel que tanto dinheirinho tinha cujtado a xeus Paij. Num há direito, realmente.
E com ejta me bou!
XÍVICO ANACLETO: O BOXO GUARDA PREDILECTO (EM MIXÃO XECRETA NO KOJOBOO)!
15 de Abril de 1975
- “Aqui, à sombra destas árvores, à beira deste lagozinho edénico, crianças cavam a terra, brincando, miniatura dos muitos homens que hoje, por esse país fora, revolvem igualmente o solo, mas mais fundo e mais longe, preparando fecundas colheitas de um socialismo em marcha”.
(A propósito da ocupação da escola técnica da PIDE/DGS em Sete Rios, in O Século)
- Definição das normas a que deve obedecer a eleição de uma assembleia representativa do povo de Cabo Verde, dotada de poderes soberanos e constituintes (Decreto-lei nº 203-A/75).
- “De madrugada, após uma reunião no antigo convento de São Domingos, o povo ali concentrado resolveu dirigir-se à Abrantes, Lda. e ocupar as suas instalações associativas. O objectivo é pôr a funcionar no edifício um Centro Popular de Cultura”.
(in O Século)
- Em Vila Viçosa foi ocupado um edifício destinado a infantário comunal, informa a LUAR.
- Os bombeiros da Azambuja, auxiliados pela população e por uma brigada da LUAR, ocuparam dois grandes barracões e um terreno anexo para parque das suas viaturas que, até à data, ficavam na rua.
- Os voluntários da Póvoa de Santa Iria ocuparam igualmente armazéns e terrenos anexos da Fábrica da Abelheira.
SOCIALISMO EM MARCHAA!
16 de Abril de 1975
- Sem experiência eleitoral, os media não publicam sondagens sobre as eleições que se avizinham. Os militares, porém, têm um inquérito, atribuído ao Centro de Estudos de Administração e Desenvolvimento. No final de uma reunião do Conselho de Ministros, o camarada e vidente Vasco Gonçalves revela o resultado dessa sondagem: a vitória será do MDP/CDE, em segundo lugar surgirá o PCP e em terceiro o PS.
- “As iniciativas populares que contrariem o socialismo, que forem extemporâneas, provocatórias, essas, evidentemente, que têm que ser reprimidas, porque é nossa intenção que o caminho para o socialismo não se faça em desordem”.
(Grande camarada e Almirante Rosa Coutinho, in RTP)
- O Conselho de Ministros decidiu nacionalizar as indústrias básicas e de transportes. São dezenas as empresas, quase todas com nomes que os portugueses conhecem de cor: CP, TAP, Companhia Nacional de Navegação, Siderurgia Nacional, Cidla, Sonap, Petrosul, Sacor, Soponata e 14 empresas de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica.
- “O Partido Socialista saúda as decisões e manifesta o seu apoio ao MFA e ao Governo Provisório”.
(Comunicado emitido pelo PS , a propósito das nacionalizações)
- O PCP regozija-se com as decisões de expropriação de propriedades de sequeiro com área superior a 500 ha e de propriedades de regadio com área superior a 50 ha e com a extinção das coutadas.
NINGUÉM PÁRA A REVOLUÇÃOO!
17 de Abril de 1975
- Aprovação do Tratado entre a Índia e Portugal, relativo ao reconhecimento da soberania da Índia sobre Goa, Damão e Diu (Decreto-lei nº 206/75).
- Repressão da sabotagem económica por parte do patronato (Decreto-lei nº 207-B/75).
- Relação dos dez livros mais vendidos durante a semana:
1 – Introdução à Política, de Fernando Luso Soares
2 – A Empresa na União Soviética, de Erick Egnell
3 – A Idade da Razão, de Jean-Paul Sartre
4 – Sexus, de Henry Miller
5 – Emmanuelle, de Emmanuelle Arsan
6 – As Democracias Populares, de François Fejtö
7 – MFA Revolução Socialista, de César Oliveira
8 – Rumo à Dignidade, de Galvão de Melo
9 – Memórias de uma Menina Bem Comportada, de Simone de Beauvoir
10 – Seara de vento, de Manuel da Fonseca.
(in Diário Popular)
- É criado o primeiro jornal diário após o 25 de Abril: o Jornal Novo, dirigido por Artur Portela Filho. O Estatuto Editorial promete um jornal que se propõe “participar na construção da democracia política e económica, pluralista, de sentido socializante”.
DEMOCRACIA É SOCIALISMOO!
18 de Abril de 1975
- É instituído o dia 25 de Abril como feriado nacional obrigatório e substituído o 10 de Junho como dia de Portugal (Decreto-lei nº 210/A/75).
- Vão agitadas as relações de Portugal com o país irmão: o Governo brasileiro não gostou da nomeação de um delegado do Banco de Portugal junto da agência do Banco do Brasil, em Lisboa.
- “ O que está a ocorrer em Portugal é um roubo. Os civis e militares que estão no poder são pessoas que nunca souberam fazer nada na vida”.
(António Champalimaud, à agência ANI)
MORTE AOS CAPITALISMOO!
Boaj tardej boj dê Deuj (aqui é quaje noite, maj aí debeij de ejtar a comexar a tratar do corpinho e recomendo-boj cuidado porque apejar de a Xanta da minha Almerinda me ter pojto ao corrente doj temporaij que por aí bão, incluindo o do PêÉxeDê e o da Madeira com o Exjxelentíximo Xenhor Doutor Alberto João Jardim a dijer, como oj malucoj, tudo o que lhe bem à ideia, o que é xerto que o tempinho de ir mojtrar aj carnej para a praia ejtá a chegar e berdade xeja dita já num xomoj nenhunj jobenj inconjxientej – afinal abeiramo-noj doj xinquenta e lá bem aj dorej naj crujej e aj arreliaj com a prójtata, para quem a tem, é xerto, e a flaxidej e a axão da grabidade e num bale fajer trocadilhoj como por ejemplo dijer a flaxidade e a axão da grabidej - , e como ia dijendo o tempo da praia ejtá a chegar e debemoj todoj mojtrar que apejar de xermoj quaje xinquentõej (ejtou danado para xer um xexigenário – aqui, pela graxa, já xe jujtifica o trocadilho…) temoj de manter aj carnej no xítio para num ejtarmoj a poluir bijualmente a praia, xim, que num noj ejtou a ber de barrigaj grandej, com uma bigodaxa daquelaj à guarda republicano (aj xenhoraj incluídaj) e com oj braxoj queimadoj enquanto o rejto do corpo xe axemelha a uma lula – ejta é para o Jé Rui – ou ao interior de uma caixa de creme Níbea (ejtou-me a referir ao creme, propriamente dito). Como ia dijendo, tendej, poij, de ter cuidado com o que comeij e debeij de comexar a fajer ejerxíxio fíjico para poderdej ir para a praia no boxo melhor, que afinal ainda há por aí gente dejimpedida, num é, Menina Tereja? num é Granjo? num é, Eulália? num é, outroj de que me poxa num ejtar a lembrar? e o marquetíngue ejije que noj ponhamoj em forma para ber xe oj encalhadoj dejencalham (quando não acontexe-lhej como o Tollan que ficou ali no Tejo uma carrada de tempo até xer dejmantelado pexa por pexa e ixo num é fim que xe dejeje nem ao noxo pior inimigo) e xe oj que têm já a xua meia-laranja num a bêem xer comida por outroj (ijto num pretende xer uma ordinarixe maj xim uma metáfora).
Eu cá continuo na minha mixão xecreta no Kojobo. Morro de xaudadej dexe cantinho à beira-mar plantado e aj minhaj para com a Xanta da minha Almerinda, apejar de comunicarmoj frequentemente pela internet e pelo checaipe, xó à bijta e ao que xe paxar depoij da bijta (entendeij-me, num é berdade?) terão fim.
Maj o deber é para xe cumprir e quando me alijtei na PêÉxePê alijtei-me para xerbir a Pátria e num habia cláujula nenhuma que dixexe tachatibamente que tinha de xerbir NA Pátria e por ixo quando o Chefe me dixe que merxê da minha ejxelente folha de xerbixoj, habia xido dejtacado para o Kojobo, para a tal mixão xecreta, num me rejtou maij do que meter a biola no xaco e tornar-me numa coija que nunca noj meuj xonhoj maij xurrealijtaj penxei que pudexe bir a tornar-me: EJPIÃO!
Berdade, berdadinha, que a mixão é tão xecreta que ainda num xei muito bem o que para aqui ando a fajer maj o que é facto é que aqui ejtou, xempre de gabardina cajtanha, chapéu puxado para oj olhoj e óculoj ejcuroj a ber xe dejcubro alguma coija, xeja lá o que for, para informar oj meuj chefej, xe algum dia chegar a dejcobrir quem elej xão (uma mixão xecreta, ou melhor, ultra-xecreta é axim mejmo: num xe xabe quaje nada e o que hoje xe aprende, amanhã ejquexe-xe e o que agora é berdade, logo maij num paxou de uma miragem, de algo que nunca acontexeu; aliáj, oj primeiroj diaj iam-me pondo maluco, porque eu nunca xabia muito bem o que xe ejtaba a paxar; hoje continuo a num xaber maj já ejtou habituado e já num me ralo com o axunto: bebo-lhe umaj bejecaj que, por xinal, aqui num xão nada máj, e toca a andar para a frente que para tráj, como dije exe noxo pobo tão xabedor, mija a burra!).
Xó tenho é pena de num poder bir tantaj bejej ao blóguio como gojtaria para boj ir pondo ao corrente dejta minha ejtadia (ou xerá “ejtada”? Ajude-me, Menina Tereja, ajude-me) noj arredorej de Prijtina, já porque ejtar a polir a ejquina onde ejtou xediado (oj ejpiõej ejtão xempre numa ejquina, num é berdade?) me ocupa muito tempo (berdade, berdadinha que ela já ejtá com oj bordoj arredondadoj), já porque, como já boj dixe, aj ligaxõej ainda xão muito falíbeij e axim que apanho linha quero é matar (algumaj) xaudadej da minha Almerinda, que ejpero que me continue fiel e num ande por aí a comprar-me chapéuj para me enfeitar a cabexa, que é coija de que nem gojto nem prexijo.
A única bantagem que bejo em tudo ijto (além daj ajudaj de cujto, é xerto, que bão permitir que bolte a lebar a Almerinda de fériaj a Benidorme) é que nuna maij xoube, nem bi, nem quero xaber (e xó num tenho raiba de quem xabe porque a minha Almerinda xabe, que num tem outro remédio) da abantejma da minha Xogra, que xó faltou dar uma fejta no xalão doj Bombeiroj Boluntárioj de Abrenúnxio quando xoube que eu binha para aqui, na ejperanxa, como me dixe na cara, de que eu pijaxe alguma mina, foxe anti-pexoal ou anti-outra-coija-qualquer para ber xe aminha ejijtênxia xe barria dejte planeta ajul. Bejam bem a qualidade da bicha! Deuj Noxo Xenhor me dê forxaj para continuar a amar a Almerinda apejar da mãe que ela tem e a xerenidade e temperanxaj bajtantej para conxeguir contar até xem de cada bej que ejta me proboca em bej de, como é minha bontade, lhe deitar aj mãoj aoj gajganetej e ir apertando, apertando, a bê-la mudar de cor, dejde o tom natural de pele, ao bermelho, primeiro, ao ajul, em xeguida e por fim ao roxo-túnica-do-Xenhor-doj-Paxoj, altura em que até debia prexijar de ir àj urgênxiaj, xe ainda num tiberem fechado todaj, para dejencalbinhar oj dedinhoj que tão heróica quanto hercúlea tarefa habiam cumprido.
Lá tenho de ir à xede prejtar contaj daj minhaj obxerbaxõej de hoje e portanto bou ter de boj deixar, por muito que me cujte, que é xempre um enorme gojto e uma xubida honra bir à boxa prejenxa e dejfrutar da boxa companhia.
Muitaj xaudadej para todoj bój!
XÍVICO ANACLETO: O BOXO GUARDA PREDILECTO (EM MIXÃO XECRETA NO KOJOBOO)!
19 de Abril de 1975
- “Há perigo de cólera, no Verão”.
(Alerta da Direcção-Geral de Saúde)
- “Não é preciso ir mais longe no saneamento da magistratura. O saneamento depende da profundidade da Revolução em curso”.
(Camarada juíz Eliseu Rodrigues, presidente da Comissão de Saneamento do Ministério da Justiça)
- “Somos contra a censura à imprensa, ainda que admitindo que haja condições em que uma censura é absolutamente legítima. Para nós, os objectivos políticos estão relacionados com situações concretas.”
(Camarada e grande democrata Álvaro Barreirinhas Cunhal, à agência ANI)
CENSURA DEMOCRÁTICA, JÁÁ!
Ploooinnng!
APRE, QUE O TIPO NÃO SE CALAA!
20 de Abril de 1975
- “Por um lado, alguns elementos do MFA insistem em atacar os partidos, em descrer da capacidade de discernimento dos eleitores, em minimizar as eleições, em propor o voto em branco. Por outro, os últimos dias de campanha provocam claramente o exacerbar dos ódios e das paixões, a irreprimível premência da caça ao voto”.
(in Expresso)
- Reuniu-se o Congresso Nacional de Trabalhadores Pró-Conselhos Revolucionários, o qual fixa como objectivo “a conquista do poder pela classe operária e pelos soldados e marinheiros, a partir dos locais de trabalho”. A iniciativa é dinamizada pelo PRP/BR, partido defensor da luta armada.
- Na região Norte está a ser distribuída pelo correio uma circular, através da qual são dadas instruções aos militantes do Partido Comunista Português para actos de violência e contra a ordem democrática durante a campanha.
LUTA ARMADAA!
21 de Abril de 1975
- “Viva o heróico povo do Camboja, que varreu o imperialismo da sua pátria, com a ajuda da grande República Popular da China!”
(Frase do comício da UDP, no Campo Pequeno)
- “Mantendo-se o Estado burguês, as nacionalizações nem são irreversíveis, como se passou na Inglaterra depois da guerra”.
(Grande dirigente da classe trabalhadora Acácio Barreiros)
- O comício da UDP merece ao Diário Popular, respectivamente, o dobro e o triplo dos espaços dos comícios do PS e do PPD.
- Um comício do CDS em Guimarães foi boicotado, saldando-se por dezenas de feridos, três dos quais em estado grave.
- Gonçalo Ribeiro Teles (!!!) advoga que a reforma agrária se inicie pelas áreas de melhores solos, onde é possível retirar imediatamente resultados positivos e propõe a imediata nacionalização da Companhia das Lezírias.
- “Os camponeses da Comenda esmagam opressores e lacaios e rumam para a vitória total”.
(Título de reportagem do Diário Popular)
A DEMOCRACIA AVANÇAA!
Isto está que não se aguenta!!
C'um raio!!
Vamos armar já aqui um bailarico, a ver s' anima...
Alguém para dançar??
O bailarico é uma arma reaccionária com que durante os 48 anos de obscurantismo fascista se pretendeu ludibriar o Povo, para que este não assumisse a noção de classe explorada e desfavorecida.
MORTE AO BAILE E A QUEM O APOIARR!
H'ómesssa!!!
Eu não sou pessoa de me abichornar com tamanha impudência revolucionária!!!
Vou já mandar deitar meias solas nos sapatos!!
E avança o baile!!
Bailadores para o Campo Pequeno...
JÁÁ!
Ploooinnng!
PARECE-ME É QUE ESTÁ O BAILE ARMADOO!
22 de Abril de 1975
- “O facto de o fascismo português ser, porventura, o mais estéril, o mais atrasado, o mais feudal dos fascismos, poderá proporcionar-nos a possibilidade de constituir uma sociedade [sic] sem grandes convulsões”.
(Camarada e democrata primeiro-tenente Ramiro Correia, da 5ª Divisão, in Jornal Novo)
- Apoiantes do CDS foram alvo da fúria de manifestantes, quando pretendiam abandonar o Teatro Jordão, ontem à noite, em Guimarães. Do ataque resultaram 20 feridos, três dos quais em estado grave.
- “Antes do 25 de Abril, a economia nacional vivia na forte dependência do capitalismo internacional e, no plano interno, 75 por cento da população recebia apenas metade do rendimento nacional”.
(Grande analista e democrata Mário Murteira, Ministro do Planeamento Económico, in Comério do Porto)
- “Aproxima-se a hora de satisfazer a velha e profunda aspiração da gente do campo – dar a terra a quem a trabalha”.
(in Comércio do Porto)
A TERRA A QUEM A TRABALHAA!
Ploooinnng!
Ó PREC, ÉS PIOR DO QUE O MÓI-ALMASS!
Ploooinnng!
QUE É FEITO DO PRIMO ALF QUE NUNCA MAIS O VI POR AQUII???!
23de Abril de 1975
- “Apresentando-se como forças do Copcon empenhadas na captura de um perigoso reaccionário, três jovens, dois dos quais militares, entraram no quarto de uma pensão da Travessa do Fala Só e, apertando o pescoço ao hóspede que ali dormitava, roubaram-lhe a carteira com 250 escudos e um par de botas, após o que empreenderam rápida fuga”.
(Rubrica “Cidade Marginal”, in Diário de Lisboa)
- O Grupo de Acção Antifascista de São Mamede convoca o povo para assistir, no próximo domingo, à colocação de uma placa com os segintes dizeres: “Quartel dos Bombeiros Voluntários de São Mamede de Infesta”. Há semanas o mesmo grupo já tentara colocar a placa, depois de arrancar uma outra, que perpetuava o nome de um salazarista. Porém, o segundo comandante, o presidente da direcção, o bufo Mota e o bombeiro Isolino, que também é conhecido por arrancar propaganda e cartazes, impediram a acção, usando as mangueiras e os machados contra o povo presente.
- “Spínola era a esperança da reacção. A tentativa de golpe de Estado de 11 de Março foi a continuação lógica do 28 de Setembro, como mais um momento do grande combate que a reacção empreendeu contra o povo português”.
(in Diário de Lisboa)
- Na vaga de ocupações de terras, chega a vez de uma herdade em Aveiras de Cima, que irá dar origem à Cooperativa Agrícola Torre Bela – um ícone da esquerda radical.
- “Milhares de portuenses vieram à rua, ontem, pedir a ilegalização de organizações políticas de direita, nomeadamente o CDS e o PDC”.
(in Jornal de Notícias)
A DIREITA É FASCISTAA!
Ò Sô Dona Taresa agora k o Sôr guarda Aniçeto já não tá tão prudileto e já ká não é tão açiduo será k poderamos vir aki eskrivenhar k é o mesmo k omintir openiões kom frekuensia afim de trukarmos as nossas ispiriênçias e de serta forma inrikecermos a nossa bagage koltural entelektual ao través das tekniuologias kom k esta vila glubal nos prasenteia e eças kôisas?
S.A. (Jr.)
Querido Dorinho,
Confesso que me perdi e acabei por não perceber a sua pergunta.
CANSADA, MUITO CANSADAA!
Ò Sô Dona Taresa eu k até sei k há kusta de muita litratura de muita piskisa de muita vuntade de muito krer e de um pojante carater autodidàtriko poço por mumentos não ser abranjido pela intreprutassão + eskorreita dos rassioçinios que se me esvaem pró teklado mas o k eu vinha numeadamente saber é se podéramos aki retumar a eskrita e açim já a Sô Dona Taresa vai pruceber komsserteza até purke a tanho por uma peçoa de fino trakto entelektual
S.A. (Jr.)
Eu acho que a Dona Taresa tem uma paciência de SANTA!!!
É a minha cincera opinião e digoa aqui porque foi pra isso que fizemos abril!!
24de Abril de 1975
- “Votar é dizer tudo: o que se sabe, o que se pensa, o que se quer. Mas, atenção, uma forma de falar verdade, sem que se preste atenção a um entendimento disfarçado ou incorrecto, é cada um ser capaz de dizer ainda não sei, portanto ainda não penso, logo, ainda não quero”.
(Editorial “Votar em branco é também falar verdade”, in O Século)
- Uma delegação do MFA, chefiada pelo coronel Varela Gomes, desloca-se a Cuba, para as comemorações do primeiro aniversário da revolução.
- “O conteúdo socialista, a unidade, a solidariedade com o MFA e a criatividade exigem que se avance para uma nova fase do processo em curso. Sem a obsessão da unicidade imposta, mas com o repto inadiável de uma unidade coerente e leal que poderá (e deverá) ser o esteio do processo revolucionário iniciado e prosseguido pelo MFA”.
(Marcelo Rebelo de Sousa (!!!), in Jornal Novo)
- “Apelo à escolha entre os partidos autênticos que não barram a via socialista”.
(Grande democrata, isento, pluralista e Presidente da República Costa Gomes – o “Rolhas” – em comunicação ao país)
PLURALISMO, SIM! MAS SOCIALISTAA!
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