terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

As quintas das pessoas

Podia eu lá imaginar que esta história antiga, que tanto me divertia, viria a cair-me em cima!!! 

Conta-se num instante. Era uma vez um pronto a comer muito bem, muito queque, muito tias, que ficava no coração da Lapa. Era e continua a ser óptimo. Eu almoçava lá com bastante frequência. Num belo dia havia umas framboesas que maravilharam toda a gente, ninguém se cansava de as elogiar. A menina de serviço, muito novinha, muito gira, muito sobrinha, já muito futura tia, às tantas, perante a insistente pergunta que lhe chegava de todos os lados, «mas onde é que vocês arranjam estas framboesas fantásticas?», sai-se com esta resposta estonteante: «Ora! Nas quintas das pessoas!»


Longe estava eu de poder imaginar que viria, tantos anos depois, a levar com as quintas das pessoas em cima, a torto e a direito, por conta do inefável Farmville do Facebook. Rio como uma perdida quando abro aquilo a meio do dia, enquanto estou ao telefone, e descubro que pessoas muito importantes andam a trocar vacas, ou que a plantação de morangos lhes correu muito bem. Há bocado, tendo aberto o Facebook, deparei com a pérola acima. Eu conheço estas duas senhoras. Eu conheço muito bem estas duas senhoras. Posso afiançar que são duas mulheres inteligentes, cultas, com imensos e muito variados interesses na vida. Mas apanhei-as a falar de pregos e tábuas, porque uma delas, primeira mulher do nosso amigo João Nunes (e arquitecta , acrescento perfidamente) anda a construir um estábulo virtual, segundo percebi. Parece que continuam a faltar-lhe dois tijolos, a não ser que tenha feito negociata por outro lado, nem quero meter-me nisso.

Dizem-me que o Farmville distrai muito, dizem-me que o Farmville é viciante, que há quem ponha alarmes no telemóvel para ir colher trigo, ou regar a relva, ou seja lá o que for. A mim diverte-me imenso assistir às ovelhas tresmalhadas que me aparecem na minha página e, à cautela, nunca lá entrei, no tal Farmville. Não vá eu começar também a fazer figuras semelhantes.

Tal como uma terceira mulher que muito considero, a Joaníssima do Digo Eu Com os Nervos, brilhantemente provou, o Farmville pode mesmo ser uma coisa perigosa (nunca mais olhei para ela com os mesmos olhos).


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