sexta-feira, 20 de outubro de 2006

A Acta do Primeiro Jantar

Porque faz hoje justamente onze anos que este grupo foi fundado, aqui fica, sem mais comentários, a primeira acta. Divirtam-se.

ACTA NÚMERO UM

Às vinte horas e trinta minutos do dia vinte de Outubro de 1995 reuniu no restaurante Tapadinha, sito na calçada da Tapada, em Lisboa, a Assembleia Geral Ordinária da «Associação das Tágides Caducas e dos Adamastores Zarolhos», com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1. Matar saudades;
2. Matar a fome;
3. Recreio e fofoca.

No período de antes da ordem do dia registou-se com apreço o elevado quantitativo de presentes, aumentando o regozijo com a chegada de um elevado número de retardatários (os Associados Maria João Fermisson e Manuel Silva Pereira), que quase duplicaram o efectivo inicial.

Uma vez verificada a existência de quorum, os trabalhos tiveram início às vinte e uma horas.

Atendendo ao elevado número de constituintes da Mesa, verificou-se, de imediato, a impossibilidade de respeito pela Ordem de Trabalhos previamente estabelecida e, consequentemente, a dificuldade na redacção da presente acta. Não obstante esta contrariedade, passa-se a relatar, anacronicamente, os diferentes pontos da Ordem de Trabalhos abordados:

Ponto Segundo: Matar a Fome
Entradas variadas e exóticas, frias ou submetidas a fritura ligeiramente exagerada que deixaram, contudo, boa impressão. Cardápio extenso e indecifrável, a exigir tradutor, com abuso de viandas em detrimento do pescado. As carnes mostraram-se apaladadas, algumas mesmo invulgares, com toque de bom gosto no contraste entre o polme e a fibra. Acompanhamentos hortícolas originais na apresentação mas raiando a banalidade palativa, sobressaindo, pela negativa, as insípidas e adstringentes ovas de feijão-frade. A embeber o repasto, coloridas e perfumadas vodkas com características inebriantes que fizeram olvidar o vinho nacional (já nem sabemos se branco ou tinto) e as quase triviais matérias doceiras.

Durante o repasto verificou-se forte incidência na troca de pratos e na prova do manjar alheio.

Serviço demorado e frio, em conformidade com as características eslavas da Gerência. Preço não ofensivo.

Pontos Primeiro e Terceiro: Matar saudades e Fofoca
Nestes pontos da Ordem de Trabalhos merecem particular destaque as moções de censura apresentadas e que, seguidamente, se enumeram:

1. Moção de censura aos vírus da gripe, que impossibilitaram a presença do Associado Artur Correia da Silva e quase impediram a presença do Associado Manuel Silva Pereira – aprovada por maioria, com abstenção do Associado Manuel Silva Pereira.

2. Moção de censura à SIC pelo sequestro perpetrado sobre o Associado António Cancela – aprovada por unanimidade.

3. Moção de Censura ao Ministério do Planeamento e Administração do Território pela súbita deslocação da freguesia de Vidago para o distrito de Vila Real, impedindo a presença do Associado João Almeida Carvalho – aprovada por unanimidade.

4. Moção de censura aos métodos anti-conceptivos de utilização externa – aprovada por maioria com voto contra da Associada Vanda Rebelo.

Seguidamente, deu-se início a uma fase de debate dos problemas prementes para a Associação, dos quais merecem especial destaque a necessidade da troca de duas riscas entre os pijamas dos Associados José Rui Reis e Manuel Silva Pereira, o desbaste da franja do Associado António Ribeiro da Silva, a eliminação imediata dos pés-de-galinha da Associada Vanda Rebelo e a necessidade de um esforço financeiro suplementar para a aquisição de medicamentos revitalizadores da memória visual da Associada Maria João Fermisson.

Estes debates, inconclusivos, viveram fases muito acaloradas, com sérias dificuldades na manutenção da ordem e no prosseguimento do normal desenvolvimento dos trabalhos, nomeadamente aquando do diferendo ocorrido entre a Associada Maria João Fermisson e, simultaneamente, o Associado António Ribeiro da Silva e António Ribeiro da Silva.

Por fim, deu entrada na Mesa uma proposta assinada por todos os presentes. Atendendo à sua complexidade, foi esta proposta discutida longa e calorosamente e colocada à votação, ficando decidido, por unanimidade e aclamação, ir toda a malta jantar fora no dia 19 de Janeiro de mil novecentos e noventa e seis.

Às duas horas do dia seguinte deram-se por encerrados os trabalhos e depois de lavrada e votada por unanimidade vai esta Acta ser assinada por todos os presentes.

Maria João Fermisson
Vanda Rebelo
José Rui Reis
António Ribeiro da Silva
Manuel da Silva Pereira

19 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns, muitos parabéns à ATCAZ!

Que daqui a muitos anos nos continuemos a encontrar, fisicamente (nas iniciativas, tipo excursões ou bailaricos, para a terceira idade...) ou neste espaço cibernáutico (não sei se esta é a designação mais correcta...).

BATATAA (Beijos às Tágides, abraços,também, aos Adamastores!

Manuel

Teresa disse...

Adorei o BATATAA do Manel, acho que devíamos adoptá-lo como saudação entre nós, até por nos dar um certo ar de conjurados. De futuro, e se o Manel não se importar, tenciono usá-lo nas comunicações ao grupo - os tais mails que seguem para todos e que fizeram o António refilar por haver lá gente com dois e três endereços, enquanto ele e e mais uns quantos só mereciam um único.

Quanto à controversa permanência da Trudy, que me parece uma versão nacional da Martha Stewart, a bola está do teu lado, António! Um pedido de desculpa não te ficava mal... Aquela personagem, seja quem for que se esconda por trás do nome, é uma preciosidade.

Anónimo disse...

Recordo e faço minhas as palavras que, tempos atrás, deixou escritas neste blog a saudosa Drama Queen: "Ena ena, o que p'ráqui vai! Nem parece o mesmo blogue!"!

Então, agora, resolveram desentender-se??? Num blog que é suposto não servir para mais nada que não seja para nos rirmos à vontade e tontamente dos disparates que a cada um apetece dizer??? Ou será que não é esta a ideia?

Já não me tinha parecido bem que a Teresa tivesse afinado com quem quer que fosse que tivesse a autoria dos célebres (e desaparecidos) "Ploings" e até achei graça ao aparecimento de ETs, de Yetis e de Rintintins (é um humor
non-sense mas divertiu-me...).

Agora, ver esta disputa (muito bem, Teresa, não se diz puta...) entre a Trudy ou Gertrudes ou lá quem é e o António, deixa-me de cara no chão...

Tenham juízo e, também, um bom
fim-de-semana...

BATATAA!

Manuel

Teresa disse...

Desculpa, Manel, mas o desaparecimento dos "ploings" foi uma bênção, aquilo transtornava-me os nervos! Que o autor surja com outras roupagens, outras identidades e será bem-vindo. Mas aquilo era de debilóide. Teve alguma graça da primeira vez, da segunda teve bastante menos, à terceira já não se aguentava. E nem vou contar-te quantos posts daqueles apaguei...

BATATAA!

Anónimo disse...

Teresa:

Não sei quantos comentários apagaste mas que achei deliciosa a conversa entre o Alien e o ET, e a fuga, com o rabo entre as pernas, do Rintintim quando o Yety rugiu, lá isso achei...

Concordo que é um humor absolutamente non-sense, como eu gosto, e muito.

Uma das artes que prezo é aquilo a que chamo de "desconversa". Começar, por exemplo, a falar na revolução cultural chinesa e no Mao Zedong (com permissão da Vanda, claro...) e, em menos de dez segundos e em apenas três ou quatro intervenções, estar a falar da produção do melão casca-de-carvalho nos concelhos de Almeirim e Alpiarça. Love it... E rio-me a bandeiras despregadas (sabes qual a origem desta expressão, por acaso? Alguém sabe? Gostava muito de ter uma ideia, por pálida que fosse...).

As anedotas de que mais gosto (as únicas que acabo por fixar) são, exactamente, as absurdas (e de preferência curtas...), como aquela que vos contei num jantar em tempo de advento sobre o papel que pode ser desempenhado por uma loura num presépio (lembras-te da resposta, lembras??...).

A minha preferida, porém - e acho que também já vo-la contei - é aquela em que se pergunta a(os) interlocutor(es) se sabe(m) o que sai do cruzamento de um burro com uma coelha.

BATATAA!

Manuel

P.S. A resposta é...


... os olhos da coelha!!!

Anónimo disse...

Deliciem-se com a Erika!
Zé Cabra volta! Estás perdoado...

http://portalpimba.planetaclix.pt/sons/erika-nao_sou_uma_boneca.mp3

BATATAA!

Manuel

Teresa disse...

Vamos por partes.

Ao Manel:

1. A origem da expressão "rir a bandeiras despregadas"? Não sei nem desconfio, mas está aí uma boa coisa para investigar - quando eu tiver tempo. Conheço-lhe o equivalente castelhano, que acho hilariante: reir a mandibulas pendientes.
As origens das expressões são uma coisa nebulosa. Até hoje não encontrei um espanhol que me explicasse satisfatoriamente o una noche toledana como sinónimo de noite sem pregar olho. Romântica que sou, ainda alimentei por uns tempos a esperança de que pudesse ter que ver com o Comme le Temps Passe do Brasillach (um dos livros da minha vida) e com o célebre episódio da noite de Toledo. Afinal parece que não. Já ouvi falar em califas e o diabo a sete, mas ninguém sabe explicar-me ao certo. É o que eu sempre digo: o 14 de Agosto devia ser feriado nacional.
2. A anedota do burro e da coelha? Então não havia de lembrar-me? Contaste-a já na rua, no fim de um dos nossos jantares, lá pelo princípio de 99. Lembro-me de que eu e o Luís Branco nos agarrámos um ao outro a rir, tão inesperado foi o desenlace, de haver gente a agarrar-se aos carros estacionados à porta do Comida a Cores, de tanto rir. As nossas gargalhadas devem ter acordado meio Campo e Ourique!

A todos os outros:
Por amor de Deus, não deixem ouvir o link que o Manel aqui deixou! Ele mandou-mo há uns dias e eu nem queria acreditar. Julgava eu, pobre tonta, que já tinha ouvido de tudo! Aquilo não tem descrição. É certo que conheço a Florence Foster Jenkins e a Mrs Miller e até tenho discos delas - são receita infalível para entreter visitas. No que toca a méritos vocais, diria que afinam (ou desafinam) todas pelo mesmo diapasão. A Florence trucidava Mozart, a sua rendition da segunda ária da Rainha da Noite na Flauta Mágica é indescritível. Já a Mrs Miller adorava assassinar Beatles. Raios partam as duas, tinham mesmo de escolher logo Mozart, logo os Beatles! Com esta Erika a coisa fia mais fino. Uma voz pavorosa a cantar uma música hedionda onde não há uma única nota que se aproveite - ela canta sistematica e persistentemente uma ou várias oitavas ao lado... - é coisa a não perder.

P.S. Se alguém quiser músicas da Florence ou da Mrs Miller é só pedir, tenho todo o gosto em enviar.

BATATAA!

Anónimo disse...

Ploooinnng!

Anónimo disse...

Claro que cumprimento todos os queridos e todas as queridas e agradeço à Teresa as palavras simpáticas.

Mas isto é mesmo para o Adam. Li o teu pedido de desculpas, também não era preciso tanto. Não se fala mais nisso. Eu tenho este feitio, pronto. Dá-me com força mas passa-me depressa. Talvez tenha exagerado. Tudo bem?

Anónimo disse...

Oi, pessoal.
Vi vosso blog e delirei com ele. Gentinha mais engraçada! Mas hoje so escrevo para dar um beijo especial ao Antonio que não vejo ha muito tempo e que hoje e pequenino.
Beijocas fofas.
Gustava Prazeres

Anónimo disse...

Oi, Prazerosa...

Não mi djiga qui cê é aquela gata qui nos deixava dji perna bamba quando si aproximava????

É mesmo cê???

Maria Gustava dos Prazeres e Morais???

Não djiga!!!

Quanto tempo!!!

Teresa disse...

Oh Mai Godji! - isto são influências desta Gustava dos Prazeres e Morais... Meninos, desculpem não ter avisado, mas de facto o nosso Tóino faz hoje aninhos. Já o felicitei bem cedinho, vocês ainda vão a tempo.

Informação p'rà cultura: também faz hoje anos (859) que Lisboa foi tomada aos mouros e o Martin Moniz se viu transformado em passador.

Anónimo disse...

Estou só a experimentar para ver como é que esta porcaria funciona.

(Teresa, agradeço que me corrigas este comentário e que me faças chegar a versão correcta em Português de Oxford pela mesma via ou por SMS, Obrigadinhos é o que eu te deseijo.)

Teresa disse...

Correcções (para o Júlio):

Em vez de corrigas - corrijas

Obrigadinhos - a intenção é o plural majestático? Também não percebo o diminutivo.

Não sei o que seja português de Oxford, lamento lamentar.

Em vez de deseijo - desejo.

O resto está bem.

Agora a sério: bem-vindo a este cantinho. Já era tempo.

Teresa disse...

P.S. para o Júlio:

Brasa é com S e não Z.

Anónimo disse...

Teresinha;
Que interessa se brasa e com z ou com s. Desde que entre, tudo legal.
Beijocas doces.
Gustava Prazeres

Teresa disse...

Oi Prazerosa.

Por momentos pensei que a ausência de acentos nas suas intervenções se devesse a estar a teclar do estrangeiro - isto é um grupo de gente muito chique, sabe-se. Mas depois atentei num cê. A menina deixe-se de preguiças e escreva como deve ser. Faça honra ao nosso Liceu.

Teresa disse...

Nesta bonita data que assinala o aniversário do nosso querido António, aqui ficam uns versinhos em jeito de homenagem.

Não são meus. Não sei de quem são. Cresci a ouvi-los pelo famoso e prestigiado rancho folclórico Tá-Mar da Nazaré (a Nazaré é o meu pensadoiro favorito, volta não volta dá-me uma tonteira, largo tudo e vou lá passar um fim-de-semana sozinha. Volto de alma lavada).

Cantam elas:
Não vás ao mar, Tóino,
Podes morrer, Tóino,
Fico sem ti, Tóino,
Para viver, Tóino

Ai Tóino, Tóino,
Tão mal estimado és,
Ai Tóino, Tóino,
Nem umas meias tens p'ròs pés!


Cantam eles:
Adeus Maria, que eu vou p'rò mar
Pescar sardinha
P'ra seres rainha
Ela é fresquinha, da cor da prata,
Não tenhas medo
Que o mar não mata.


Parabéns, António!

Agradecimentos: MSP, que se lembrava dos versos da primeira estrofe.

Anónimo disse...

Ó Teresa, sabias que o Vergilio Ferreira me chumbou no 1º ano. Porque terá sido???