Começo a encarar este blog, que me pareceu inicialmente uma coisa genuinamente engraçada, com alguma amargura. Parece que não consigo mesmo fazer outra coisa senão alastrar-me! Fui severamente repreendida pela publicação de um documento* que já retirei. Mesmo não conseguindo concordar, respeito a visão dos outros, e mais ainda quando sobre coisas que lhes dizem directamente respeito. Continuo a considerar o tal documento tal qual o considerei quando o recebi pelo correio há mais anos do que aqueles que então tínhamos e tal qual ele foi concebido pelos seus autores: uma brincadeira divertidíssima. Tenho uma ternura sem fim pela inocência e patetice desses anos, e julgava que qualquer pessoa encararia as coisas dessa época como eu as encaro: tontices próprias das crianças que éramos. Enganava-me. Peço desculpa às duas pessoas directamente envolvidas, julgo que sabem que fiz isto com a melhor das intenções, a de partilhar. Nunca retiro tanto prazer de coisa alguma como quando posso partilhá-la. Por isso este blog. Que afinal parece não valer lá muito a pena. *O documento está aqui. Dois anos e meio depois, pude publicá-lo. |
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Há 7 meses

22 comentários:
Minha Filha:
O mundo está cheio de escolhos, que terás de ultrapassar, no teu caminho para a plenitude e para a felicidade suprema.
A injustiça de que estás a ser vítima não é mais do que uma parte desse caminho.
Sê corajosa! Sê paciente! Sê, mesmo, humilde!
Ver-te-ás, no fim dos tempos, recompensada...
Pe. Egas Vaz
P.S.Será que o Senhor Trovão, ou Raio ou Fagulha ou lá como se chama ainda tem o porco para vender???
Acabei de esgueirar-me prudentemente(não fosse alguém dar comigo a fazê-lo, e vir ralhar-me por novo atrevimento em ceara alheia), após uma rápida assomadela aqui à sua tão maltratada associação. Que pena,Teresa!
Que pena quando o passar dos anos por certas vidas faz também que se vá, sem retorno, o que devera sempre ficar entre quem partilhara, em tempos, coisas tão importantes de aprender e guardar para a vida como o erro, a perda, o ciúme, o insucesso e também ... a partilha.
Escusado falar aqui do amor, e do resto ... que aprendemos ou quiçá nos repreendemos de então aprender, ou não. À nossa custa sempre, pois claro.
A minha primeira vontade fora a de enviar-lhe um e-mail, como deixou dito algures que todos ou quase todos aqui tendem a fazer. São imagináveis as mais diversíssimas ou as menos divertidas razões: boas e menos boas. Mas finalmente acabei por capitular à gritante vontade de (por minha absoluta conta e risco) aqui deixar um tanto indignado registo,nisto resguardado aliás pelo seu tácito consentimento aqui igualmente exarado.
Nas suas últimas palavras (serão as derradeiras aqui?) vejo que tão meritório e acarinhável intento esbarra, ao total invés, em vastas zonas das partes presumivelmente interessadas (ou melhor, ao que se vê, desinteressadas), na falta de sentido de uma plena e rediviva assumpção do passado que houve, e do sentido que teve, quando e como ocorrido.
Bem mal lidamos todos (quase todos, para ser justo) com o passado – mal, com o que nos é recente, malissimamente, com o mais remoto – quando nos deveria ele servir de esteio para a inteira vida, e de âncora de atracação ao porto de abrigo de todas as agruras e outras coisas mais ou menos desagradáveis da vida que por nós vai passando, e não nós por ela.
De esquecimento em esquecimento vamos amontoando (melhor, acamando) presente após presente,futuros que as mais das vezes ou não são dignos do nome ou não chegam sequer a vir a sê-lo.
E de repente, “não mais que de repente” (como bem diz o poeta, que melhor sabe sempre destas e doutras coisas que se não imagina normalmente que saiba), de repente, damos connosco na circunscrita redoma da nossa pobre vida, do nosso pequeno mundo, vidinha e mundinho feitos de quase nada que fique para filhos e netos lembrarem da nossa breve e fugidia passagem pelo sucessivo leito dos dias que vivemos, ou não vivemos. Demasiado tarde, então.
Quem intenta meramente tapar e não revisita o passado (lembram aquela inolvidável série?) – aqui amargamente me arrependo e penitencio de então lhe não ter dado a devida e veneranda atenção – acumula esquecimento de si, e sobretudo talvez das raízes de si. Embarcará, por isso, no denso leito do Lethes, para uma viagem sem sentido nem regresso. Pobre coisa.
A vida, esta nossa, que só uma teremos, não devera ser como a dos bichos – sim, esses mesmos que não têm passado, porque nem sabem terem presente; a vida devera ser-nos, não a procura de sucesso – a palavra, tão idolatrada hoje por toda a parte e toda a gente (ou quase), é pobre de quanto lhe emprestamos de sentido: diz ela apenas do que sucede, e a sucessão disso; a vida devera ser-nos enfrentar o novo na revisitação do passado que mais se lembra de nós, que que nós dele.
Culpa nostra… de que, se não nos sequer ocorre ponderação, como então nos lembraríamos de dela ousar penitenciar-nos.
De tudo porém, do mais vão ao mais impróprio, nos esquecemos já de pedir perdão, que fosse apenas a nós mesmos, por amiúde ou constantemente nos trairmos, já que pedir perdão aos outros ou ao menos solicitar sua desculpa, não, que não cabe nos nossos códigos e quadros de proficiência na auto-escravatura em nome de um qualquer irrecusável sucesso ou sociality a sempre defender. Quem parte e reparte, e não escolhe a melhor parte...
A melhor parte - por inteira conta e risco aqui o digo - ficou na verdade consigo, Teresa. Há, bem parece, quem não o saiba já, por se ter talvez esquecido de viver o que, algures na vida, da vida um dia julgou querer. Puro engano ou erro no cálculo.
Pena talvez, mas que importa? Que importa, se pouco menos do que nada de nada pode fazer-se quanto a isso?
Far-se-á entretanto tudo quanto ao resto – que é isso mesmo que a faz, Teresa, estar viva como está e faz por estar, que a faz acreditar de modo tão irredutível no passado que há no presente, e de ter inabalável certeza do futuro que brota em flor de quanto se lhe apresenta passado do futuro.
Que bom que assim viva. Mais: que bom que assim ainda e sempre reviva. Sinal de que está viva deveras.
P.S. Perdoe-se-me o longo destas inúteis palavras mas, como soi dizer-se: Ars longa, vita brevis!
Pude verificar que a tua retractação já deu origem a dois posts. Um do padre Egas Vaz e outro do Novo do Restelo. A este, com a tua fina ironia e jeito para o descascanço, tens de ensinar que seara se escreve com s (erro que detectei apesar de só ter lido os dois ou três primeiros parágrafos, porque se me acabaram, entretanto, a coragem, a paciência e os comprimidos para o enjoo). Àquele tens de o mandar ter juízo e recolher-se no seu ministério, por andar, inadvertidamente, a inserir o respectivo apêndice nasal em local onde não se ouve clamar por seu nome.
Afinal, parece que o blog estava a precisar era de uma atitude dramática...
Beijos
Eu cá sou toda pelo drama e respectivas atitudes dramáticas!
Será que isto começou a aquecer? Já era tempo!
Ó Teresinha, não acabes com isto!
À atenção da
Exma. Senhora D. Drama Queen
Minha Senhora
Deixou-me absolutamente fascinado esse seu je ne sais quoi de que avulta uma quase hibridação entre Palmira Bastos e uma qualquer drag queen sem dinheiro para comprar um par de meias novas.
Imagino-a cavalgando o palco (e pelo palco) com o seu imensíssimo, enormíssimo talento (igual ao que o Novo do Restelo tem para escrever...) debitando dramáticas palavras de dramáticas personagens de dramáticas peças e arrancando soluços angustiados a plateias rendidas e vergadas ao seu peso.
Seja magnânima e não nos prive das suas intervenções (já o outro, o do Restelo, podia ir dar uma curva...).
Subscrevo-me, com respeitosíssimos cumprimentos.
Adam Blinkingeye
Folgo em ver de repente várias pessoas por aqui. Quase todas novas, o que é curioso. Folgo em ver - estranhamente no justo momento em que eu ponderava com os meus botões a sua suspensão sine die - este espaço alimentado da seiva que faz viver qualquer blog: os comentários.
Mas confesso que estou baralhada. Sei, sabemos todos a identidade do Rev.º Padre Egas Vaz, que a história do comércio das carnes permanece nítida em muitas memórias. Conheço a identidade do Novo do Restelo. E os outros, quem são?
Temos uma Drama Queen e um Adam Blinkingeye. São do nosso grupo e preferem recorrer a um pseudónimo? Assim não me entendo, valha-nos Deus!
Prefiro pensar que são mesmo do nosso grupo, já que mandei mails a toda a gente e chegar aqui não é fácil. Mas não querem identificar-se? Seria mais simpático. Lembro que isto é um espaço só nosso e que as intrusões são encaradas com muita relutância. Vide a opinião do Anónimo. Sei quem é, tem e terá sempre um espaço privilegiado neste nosso cantinho.
Um beijo a todos.
Então mas o Senhor Borrasca não me responde???
Tende uma boa noite e não vos esqueçais das vossas orações.
Pe. Egas Vaz
Somos duas. Contra Mundum, se necessário for. É bom ter companhia. Obrigada, Eunice.
A tua mensagem acaba de dar-me o alento para não desistir ainda, apesar das esfoladelas. Deus te pague!
Posso contar contigo aqui?
Para inteiro gáudio e sossego completo da vista cansada de certo anónimo que toda gente afinal bem sabe quem é, aqui reenvio, com a óbvia complacência magnânima da Teresa (o que sobeja a uns, bem falta parece fazer a outros, ora se constata) o texto do meu comentário à retractação da bloguer deste sítio – agora já devidamente expurgado daquela gralha tão envergonhante.
Na verdade, parece que por aqui se estava algo estranhamente necessitado de gralhas (elas mesmas e eu próprio, entenda-se) para que alma mais trabalhadeira e espírito menos amadurado viesse - exaltado em seu estremunhado bocejo, à tona desta cibernáutica tessitura em que parece nos esgrimimos - em defesa de sua dama, a associação que se sabe, e que até aqui (coisa se me afigura pelo menos curiosa) fora objecto tão-só de um quase borrifanço ou complacência gerais.
Talvez a Teresa se não importe, então, posto que tem grado empreitanço já encomendado pelo anónimo criaturo, de, "em sua fina ironia e jeito para o descascanço", coisas perfeitamente incontroversas e aqui muito justamente salientadas, de ensinar também ao tal de anónimo com propensão para o fácil enjoo – e que aqui contrafeito me obriga a este bem feio neologismo – a lapalissiana diferença (nem tão subtil pois que a não perceba fácil o mais comezinho espécime do vulgo) entre tomar uma atitude propriamente drástica e uma outra “dramática” (sic), coisa esta que se não vislumbra o que seja ou possa ser no vertente contexto.
Finas subtilezas estas que se tornam difíceis de atingir por quem mais cuida das gralhas inócuas de outrem do que do deforme próprio, pelos vistos (ainda para mais) ao que bem parece inato.
Enjoo – o que ora retomo – bem sintomático aliás de que, ao contrário do que afirma e quer fazer crer o (des)conhecido comentador, também aqui o dito cujo anonimado se esconde atrás de si próprio.
Daí (está bem de ver) o avultado do enjoo, pela mais que certa ausência de um regular hábito de ler coisa que não seja mera pasquice (de 24 Horas ou de Wall Street, o que dá pouco mais ou menos no mesmo) mais leve e digestiva, e apenas adequada para acompanhar o eventual cigarrinho aliteracento após almoço e distrair do mental palito imprescindível para tentar lograr suprimir as sobressalientes ou mais íntimas demasias próprias.
Com isto, sigo de pronto com o aviar do comentário ele mesmo, agora já devidamente depurado de todo nojo de gralhas, aqui agradecendo encomiado o valentíssimo esforço (não me pareceu caridade, não acham?!) de leitura de dois ou três parágrafos por parte do dito comentador do comentador (há grandes vocações assim: a de serem, para a vida, uns perfeitos "do de").
Pena é que destemor a roçar o heróico não haja logrado mais assinalado feito, pois por certo me teria o sucesso disso evitado o transtorno de ter de escrever as presentes linhas cansativas.
Por fim, lanço a todos os restantes associados (dos quais me excluo, pois não é?) o pedido de perdão por esta minha nova longa palavrice e, sobretudo, pelo repetido da mesma (culparão,se fazem favor, quem deveras a tenha).
O fito de preencher a persistente ausência de quem aqui devera tê-lo feito mais cedo, a tanto meio em raiva me obrigou.
Espero, com esta, calar-me. Desejável se torna, pois, que emudeça também no desnexo o Sr.Antónimo, perdão, o Sr. António, perdão de novo, o Sr. Anónimo; ou então, que devidamente aqui se subscreva com todas as letras. Exemplo aliás que já deu frutos que deu, agorinha mesmo.
E com isto, por aqui e daqui me vou.
Ah! ... Já ia esquecendo… Obrigado, Sr. Antónimo!(não é gralha, não!)
Nothing personal!
Acabei de esgueirar-me prudentemente(não fosse alguém dar comigo a fazê-lo, e vir ralhar-me por novo atrevimento em seara alheia, palavra que definitivamente se escreve com s), após uma rápida assomadela aqui à sua tão maltratada associação. Que pena,Teresa!
Que pena quando o passar dos anos por certas vidas faz também que se vá, sem retorno, o que devera sempre ficar entre quem partilhara, em tempos, coisas tão importantes de aprender e guardar para a vida como o erro, a perda, o ciúme, o insucesso e também ... a partilha.
Escusado falar aqui do amor, e do resto ... que aprendemos ou quiçá nos repreendemos de então aprender, ou não. À nossa custa sempre, pois claro.
A minha primeira vontade fora a de enviar-lhe um e-mail, como deixou dito algures que todos ou quase todos aqui tendem a fazer. São imagináveis as mais diversíssimas ou as menos divertidas razões: boas e menos boas. Mas finalmente acabei por capitular à gritante vontade de (por minha absoluta conta e risco) aqui deixar um tanto indignado registo,nisto resguardado aliás pelo seu tácito consentimento aqui igualmente exarado.
Nas suas últimas palavras (serão as derradeiras aqui?) vejo que tão meritório e acarinhável intento esbarra, ao total invés, em vastas zonas das partes presumivelmente interessadas (ou melhor, ao que se vê, desinteressadas), na falta de sentido de uma plena e rediviva assumpção do passado que houve, e do sentido que teve, quando e como ocorrido.
Bem mal lidamos todos (quase todos, para ser justo) com o passado – mal, com o que nos é recente, malissimamente, com o mais remoto – quando nos deveria ele servir de esteio para a inteira vida, e de âncora de atracação ao porto de abrigo de todas as agruras e outras coisas mais ou menos desagradáveis da vida que por nós vai passando, e não nós por ela.
De esquecimento em esquecimento vamos amontoando (melhor, acamando) presente após presente,futuros que as mais das vezes ou não são dignos do nome ou não chegam sequer a vir a sê-lo.
E de repente, “não mais que de repente” (como bem diz o poeta, que melhor sabe sempre destas e doutras coisas que se não imagina normalmente que saiba), de repente, damos connosco na circunscrita redoma da nossa pobre vida, do nosso pequeno mundo, vidinha e mundinho feitos de quase nada que fique para filhos e netos lembrarem da nossa breve e fugidia passagem pelo sucessivo leito dos dias que vivemos, ou não vivemos. Demasiado tarde, então.
Quem intenta meramente tapar e não revisita o passado (lembram aquela inolvidável série?) – aqui amargamente me arrependo e penitencio de então lhe não ter dado a devida e veneranda atenção – acumula esquecimento de si, e sobretudo talvez das raízes de si. Embarcará, por isso, no denso leito do Lethes, para uma viagem sem sentido nem regresso. Pobre coisa.
A vida, esta nossa, que só uma teremos, não devera ser como a dos bichos – sim, esses mesmos que não têm passado, porque nem sabem terem presente; a vida devera ser-nos, não a procura de sucesso – a palavra, tão idolatrada hoje por toda a parte e toda a gente (ou quase), é pobre de quanto lhe emprestamos de sentido: diz ela apenas do que sucede, e a sucessão disso; a vida devera ser-nos enfrentar o novo na revisitação do passado que mais se lembra de nós, do que nós dele.
Culpa nostra… de que, se não nos sequer ocorre ponderação, como então nos lembraríamos de dela ousar penitenciar-nos.
De tudo porém, do mais vão ao mais impróprio, nos esquecemos já de pedir perdão, que fosse apenas a nós mesmos, por amiúde ou constantemente nos trairmos, já que pedir perdão aos outros ou ao menos solicitar sua desculpa, não, que não cabe nos nossos códigos e quadros de proficiência na auto-escravatura em nome de um qualquer irrecusável sucesso ou sociality a sempre defender. Quem parte e reparte, e não escolhe a melhor parte...
A melhor parte - por inteira conta e risco aqui o digo - ficou na verdade consigo, Teresa. Há, bem parece, quem não o saiba já, por se ter talvez esquecido de viver o que, algures na vida, da vida um dia julgou querer. Puro engano ou erro no cálculo.
Pena talvez, mas que importa? Que importa, se pouco menos do que nada de nada pode fazer-se quanto a isso?
Far-se-á entretanto tudo quanto ao resto – que é isso mesmo que a faz, Teresa, estar viva como está e faz por estar, que a faz acreditar de modo tão irredutível no passado que há no presente, e de ter inabalável certeza do futuro que brota em flor de quanto se lhe apresenta passado do futuro.
Que bom que assim viva. Mais: que bom que assim ainda e sempre reviva. Sinal de que está viva deveras.
P.S. Perdoe-se-me o longo destas inúteis palavras mas, como soi dizer-se: Ars longa, vita brevis!
Ando aqui roidinha de curiosidade com este Novo do Restelo. QUEM É A MULHER?!
Agradeço as palavras tão simpáticas do Sr. Adam Blinkingeye. Ora aqui está alguém que me compreende! Mas os elogios são excessivos, favores que não mereço.
Mas que sítio tão giro e que ideia estupenda!
Também andei na vossa escola, mas bastante mais tarde. Importam-se que venha aqui espreitar de vez em quando?
Um abraço a todos e a todas.
1. Não foi um estremunhado bocejo: foi mesmo um valentíssimo arroto, impossível de evitar, perante verborreia de tal jaez. É a tal propensão para o enjoo. Sorry! O Alka-Seltzer já deve tardar pouco a fazer efeito…
2. Verdade que os ainda curtos anos de vida me infligem a dolorosa pena de não ser suficientemente maduro para poder
perder-me em elucubrações que sejam dignas da sua gongórica (mas assaz oca) produção
pseudo-literária.
3. É uma dor de alma ver alguém tão pretensamente culto esticar-se ao comprido de forma tão deselegante e clownesca (foi a minha vez de usar um neologismo). Verdadeiramente, o termo a empregar é “dramática”. Tenho absoluta certeza do que afirmo e de que há gente que entende o que estou a dizer. Ainda assim, estendo-lhe a mão para o ajudar a levantar desta escorregadela e consequente enormíssimo tombo e perdoo-lhe a presunção de se achar dono da razão.
4. Face ao ponto anterior, decido ignorar, por me não merecer mais que isso, o resultado do esforço para juntar letras em palavras de sete e quinhentos e estas em frases sem sentido.
5. Exceptuo a chamada de atenção para a questão do anonimato sob que me acoberto. Devo confessar que, na minha modestíssima opinião, se eleva muito mais quem se esconde por trás de um pseudónimo de três palavras (aliás, quantas mais, melhor) do que aquele, humilíssimo, que escolheu um pseudónimo de uma só. Infelizmente, não me sobram engenho, arte, cultura nem sapiência ou sabedoria, para ir além de um Anonymous (que, confesso, até achei que tinha graça e alguma “pinta”, por ser em estrangeiro…).
6. Não tem por quê. Disponha. Eu e esta Associação estamos à sua inteira disposição para aquilo em que entenda que podemos ser úteis. Faça-nos o subidíssimo favor de não hesitar, se em algum momento lhe parecer que podemos contribuir para o seu bem-estar.
7. Por último, correndo o risco de parecer (e de ser) rude e grosseiro, não posso deixar de o invectivar com uma frase feita, absolutamente pertinente no contexto desta Associação:
- VAI CHATEAR O CAMÕES!!!!
Anonymous (e não Anónimo, nem António, nem Antónimo, nem nada que se pareça, por muita graça que pretendesse ter).
É uma alegria ligar o computador e deparar com novos comentários e novos participantes (ainda que desconhecidos).
Na contenda que parece ter-se instalado entre o Anonymous e o Novo do Restelo prefiro não me meter, por ser a administradora disto, mas todas as outras opiniões são bem-vindas.
Cara Drama Queen: sei quem é o Novo do Restelo, coisa que julgo já ter dito aqui. Não me cabe desvendar-lhe a identidade. Quanto à sua própria identidade, confesso-me intrigada.
Cara Cindy Calista: também não me cabe dar-lhe ou recusar-lhe permissão para se pronunciar aqui, isso é com os restantes membros do grupo. Mas pedem-me que lhe pergunte quanto leva pelo arranjo de pés com manicure francesa. Agradecida.
Por último: alguém terá ainda o mail do saudoso e inesquecível Sr. Salvador Almeida para lhe dar conhecimento deste nosso cantinho?
Senhor Salvador Almeida:
srfca@hotmail.com
Querido Anonymous: agradeço-lhe penhorada a prontidão com com nos facultou o endereço do Sr. Salvador Almeida, a quem acabo de enviar um mail. Assim ele se digne visitar-nos.
Rev.º Padre Egas Vaz, peço-lhe que não me retire a sua absolvição por só agora responder às suas palavras de conforto, que fundo calaram. Exortaram-me a persistir - elas e a leitura de dois capítulos da Imitação de Cristo, um dos meus eternos livros de cabeceira. Sua irmã em Jesus Cristo Nosso Senhor, peço-lhe humildemente a bênção.
Irmã em Cristo ("Mana" soa-me desajustado"...), Minha Filha:
Pede a Deus que o Sr. Restelo não leia o que acabas de escrever porque, ressabiado como anda (como é??!!), não te poupará...
"Sua Irmã em ..." exige a terceira pessoa do singular; deverá ser "pede-lhe" e não
"peço-lhe". Ou terei entendido mal?
E, já agora, cá vai: Deus te abençoe, minha filha!
Pe. Egas Vaz
Rev.º Padre Egas Vaz:
Longe de mim, humilíssima criatura que sou (para utilizar um superlativo absoluto - é assim que se diz, não é? - que me foi hoje recordado pelo nosso querido Anonymous) discordar do seu douto parecer. Aquilo que escrevi pareceu-me bem. Continua a parecer. Quem sou eu para falar de mim na 3.ª pessoa?
Não sou certamente o Júlio César do Astérix. Lembrais-vos? "Ele é realmente extraordinário" - diz alguém. Sobrancelha erguida em desagrado: "ELE? Ele quem?". Resposta pronta: "Vós, César!". E o retorno já tranquilizado: "Ah! Ele."
Irmãos e Irmãs:
Acabado de sair dos braços de quem me embala o sono (e estou a falar dos Anjos, seus marotos...), venho partilhar convosco as minhas reflexões sobre o dia de ontem, tão marcante para este bloco (que nome haviam arranjar, Santo Deus...).
Tal como na história do mundo, desde que Deus o criou, também ontem se viveram, neste bloco (realmente, ele há com cada ideia... que raio de nome...) a guerra e a paz, a dor e o arrependimento, a felicidade e o perdão, a luxúria e a temperança, a inocência e a sagacidade, a alegria e o desespero, enfim, todo um turbilhão de sentimentos e de emoções que nem o mais hábil argumentista seria capaz de compatibilizar no seu filme mais delirante.
De tudo o que li, de tudo o que apreendi do que li, de tudo o que reflecti sobre o que apreendi do que li, ficou-me o que já era uma certeza inabalável: nada do que é terreno é eterno. Eterna só a vida que Jesus Cristo prometeu aos que acreditam em Deus, Seu Pai, e que, verdadeiramente arrependidos dos seus pecados, esperam com Ele ressuscitar.
Em boa verdade, passam medos, passam glórias, passam iras, passam uvas, passam ódios, passam alegrias, passam amores, passam figos, passam boas e más horas, tudo passa (“Mas tudo passa, tudo passará…”, cantava Nelson Ned que, contudo, nunca passou da cepa torta nem do metro e vinte de altura…). Perdoe-me Deus, que não resisti a umas graçolas, uma delas bem mazinha (mas a das uvas e dos figos é boa, não é?).
O que eu gostava, meus Filhos, é que não deixassem passar a linda amizade que vos une. Alicercem-na, escorem-na,
cimentem-na, reboquem-na, afaguem-na, dourem-na e façam-lhe sempre as obras de conservação necessárias para que, enquanto aqui na terra andarem dois de vós, se amparem um no outro e, quando só sobrar um, que esse se ampare nas recordações e na esperança do reencontro, no dia em que todos iniciaremos a Vida Eterna.
Não vos esqueçais das vossas orações. Por mim, vou imediatamente orar para que tenhais um santo e muito feliz dia.
Pe. Egas Vaz
P.S. (1) Volto a solicitar ao Sr. Ventania o favor de me contactar. É que a quermesse da paróquia é daqui a pouco tempo e, se ele ainda tivesse o porco para vender, talvez conseguíssemos fazer negócio.
P.S. (2) Ao Sr. António Mousse exijo que me trate com respeito que eu não faltei ao respeito a ninguém.
Rev.º Padre Egas Vaz,
Como o António, primeiro Associado a manifestar-se aqui, muito bem assinalou, este bloco também abraça uma vertente «coltoral".
Eis, Rev.º Padre, a informação que sobre o cantor que refere encontrei na Internet e que agora partilho com toda a Associação:
Nasceu em Ubá e desde cedo se interessou por música. Nos anos 60 começou a se apresentar e gravar discos, inclusive nos países da América Latina, onde é extremamente popular. Com repertório voltado para a música romântica, seus shows atraem multidões em estádios e teatros. Como compositor, já teve músicas gravadas por Moacir Franco, Antônio Marcos, Agnaldo Timóteo e outros. Ganhou Discos de Ouro no Brasil e já se apresentou algumas vezes no Carnegie Hall, em Nova York. Na década de 90 passou a cantar músicas evangélicas, após ter-se convertido. Lançou em 1996 a biografia "O Pequeno Gigante da Canção", uma referência à sua condição de anão.
Seguramente estamos tomos cu(o)lturalmente mais ricos depois destes valiosos esclarecimentos. Aproveitei também para caçar músicas do referido. Solicito-lhe, Rev.º Padre, que esvazie regularmente a sua caixa postal, sempre que tal não colida com os deveres do seu santo ministério. É que consegui apanhar a música de que fala - e que afinal é cantada em españuel, o que é um pratinho; um brasileiro a tentar falar espanhol, qualquer que seja a altura em centímetros, só perde para um espanhol a tentar falar qualquer outra língua que não a própria. Acrescento que descobri também a música original, chamada Espere um pouco, um pouquinho mais. Subsiste unicamente uma dúvida: seria cantada pelo referido Nelson Ned ou pelo Sr. Nilton César? - o mesmo do inolvidável A Namorads que sonhei. A discografia dos prestigiados cantores - que consultei - não contribuiu para me elucidar.
Sua irmã em Jesus Cristo, peço-lhe/pede-lhe a bênção.
Meus Filhos:
O meu trabalho pastoral tem-me tomado tanto tempo que não tenho podido vir estar convosco tão amiúde quanto é meu desejo.
Brevemente voltarei a deixar-vos com mais uma das minhas reflexões.
O que eu hoje quero, mesmo, é que façam o favor de pedir ao Sr. Meteorito para, por este meio, se pôr em contacto comigo. É que a quermesse está à porta e não sei muito bem como hei-de de resolver o problema da barraca das bifanas e das sandes de couratos.
Bem hajais!
Pe. Egas Vaz
Reverendo Padre Egas Vaz,
Sinto-me no dever de lhe prestar um esclarecimento: o Sr. Acto de Deus foi informado por mail da existência deste espaço de reflexão, tal como os demais membros desta Associação. Para tão longo silêncio avento como explicação plausível a possibilidade de se encontrar ausente do país, quiçá em Bruxelas.
Sua, etc.
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