segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O nono jantar

Tenho más notícias, meus amigos. A partir daqui, as actas são escritas por mim... e perdem toda a graça a que estavam habituados. Custa-me imenso fazer-vos isto, mas a culpa é do António. Telefonou-me na manhã seguinte ao jantar de Junho em que o grupo me acolheu e entrou logo a matar, participando-me que daí em diante (que pena não poder fazer esgueirar-se por aqui um saboroso doravante, sempre tão do meu agrado...) as actas passariam a ser incumbência minha, com o pretexto coxo de que eu sempre tinha sido a melhor aluna a Português. Ainda consegui esquivar-me à do jantar de 27 de Junho, com desculpas não completamente ortodoxas, mas depois ele foi irredutível e eu tive mesmo de passar a redigi-las. Cá vai, portanto, a primeira.

Cristina, António, Eunice, João e Júlio


Acta Número Nove

Aos dez dias do mês de Outubro de 1997, reuniu na Sede provisória ignominiosamente sita no restaurante/cervejaria dito Maracanã, algures para as bandas da Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, a Assembleia Geral Ordinária da Associação das Tágides Caducas e dos Adamastores Zarolhos, não sujeita a qualquer Ordem de Trabalhos (como tem vindo a ser da praxe) e como tal alegremente aberta aos mais tontos imprevistos.

Desgraçadamente para todos os Associados e para ignóbil regozijo de um único, que o pudor nos impede de nomear, a nobre e vetusta Associação viu concretizada a negra sombra da acção de despejo (vide acta anterior) da sua bem-amada sede habitual e encontrou-se de súbito à mercê das vicissitudes impostas pelo incompreensível rigor de um único Associado - que o pudor continua a impedir-nos de nomear - e sujeita à triste contingência de reunir em local tão manifestamente indigno dos seus nobres destinos.

Tristemente iniciada sob o signo da pinderiquice, dificilmente a Assembleia poderia recobrar vigor e brio. Ao invés dos garbosos whiskies e gins da praxe, ficou-se timidamente por umas imperiais no que toca à fase de aquecimento etílico, por tradição determinante do bom evoluir das suas reuniões. Até o número de comparências se viu vergonhosamente diminuído, atitude que foi vivamente repudiada pela enérgica moção de censura votada aos ausentes, com menção especial e redobrada ênfase nos casos dos Associados José Eduardo Barroso e Clara Reis, cuja presença tinha sido confirmada.

A Associação deu as boas-vindas a mais um membro, sinal inequívoco do seu crescimento e engrandecimento lentos mas seguros, tendo a admissão da nova Associada Cristina Pimentel sido aprovada por unanimidade.

Do repasto em si pouco haverá a dizer, sendo que a diversidade de iguarias proposta pela mui extensa ementa desafiava a paciência mais evangélica, tendo a grande maioria dos Associados optado - pouco imaginativamente - por uma corriqueira picanha, com a excepção honrosa do Associado Manuel Silva Pereira que, imbuído de espírito gastronómico mais aventureiro, arriscou uma incursão degustativa para as bandas de um bife de avestruz. Nenhum dos restantes Associados fez caso das suas insistentes ofertas no sentido de com ele partilharem a descoberta dos exóticos prazeres proporcionados pelas carnes de tão caricato e emplumado animal, e o jantar prosseguiu com uma tranquilidade inusitada, facto a que não terá sido alheia a pacata sangria que o acompanhou e as quantidades insolitamente austeras em que foi consumida.

Nos debates registou-se a costumada e amigável esgrima entre os Associados João Luís Viegas e Júlio Faísca, havendo apenas a lamentar a inexplicável exaltação deste último ao perorar sobre a morte da por todos chorada Princesa de Gales. O dito Associado chegou mesmo a apontar um dedo acusatório na direcção dos Associados Manuel Silva Pereira e Teresa Leandro, taxando-os de atrasados mentais na sua qualidade de leitores ávidos da prestigiada publicação estrangeira ¡Hola!, facto que não impediu os visados de continuarem a discutir as últimas novidades da mesma com soberana indiferença.

Seguidamente, à falta de outro local onde pudesse prosseguir a reunião, transferiu-se a Assembleia - por gracioso convite do Associado Manuel Silva Pereira - para o bar do Hotel [...], onde entre cafés e whiskies decorreu um animado debate sobre temas sérios e de grande actualidade, em que os Associados António Ribeiro da Silva e Júlio Faísca se destacaram pela intolerância dos seus pontos de vista, provocando o descontentamento e mesmo a viva irritação de alguns dos seus pares. A discussão poderia mesmo ter azedado perigosamente, não fora o facto de as Associadas Vanda Rebelo, Eulália Campagnac e Teresa Leandro terem despropositadamente decidido reviver os velhos tempos em que chilreavam no Coral do Liceu, brindando os presentes com um recital que, se não tinha sido solicitado, e muito menos desejado, teve pelo menos o mérito de congregar toda a Assembleia num movimento único de solidário repúdio dos seus maviosos trinados, que teriam ofendido até o ouvido menos sensível (consta que inclusivamente a recepção registou queixas de diversos hóspedes do hotel).

Cerca das três horas da madrugada, e não havendo mais assuntos a tratar, foi decidido dar por encerrada a Assembleia e dispersarem os Associados para onde lhes aprouvesse, tendo sido lavrada esta acta que, depois de lida e aprovada, vai por todos ser assinada.

O Presidente - Cristina Pimentel

O Presidente - Eulália Campagnac

O Presidente - Eunice Onofre Duarte

O Presidente - Vanda Rebelo

O Presidente - Teresa Leandro

O Presidente - Júlio Faísca

O Presidente - João Viegas

O Presidente - António Ribeiro da Silva

O Presidente - Manuel Silva Pereira

Vanda e Eulália

Cristina e António

António

Eunice

João

Eunice

Júlio

Eulália

Vanda

António

(e digam lá que a decoração do restaurante não é um primor, faz o género catedral...)

Grafonola Ideal: George Harrison - Cheer Down

5 comentários:

Anónimo disse...

Ai, ai!!!... Estão ali três fotografias que comprometem a continuidade das intervenções do Xívico.

Anónimo disse...

E não é isso que pretendemos???

REFORMA PR'Ó CLETO JÁA!

Anónimo disse...

... e o menino dorinho? Esvaeceu-se esse rapaz?

Anónimo disse...

Alguém me explica porque é que as fotografias podem inibir o Xívico? Algum dos meninos é o Chefe da Esquadra onde trabalha o nosso dilecto Agente?

Xívico, fosse eu Chefe da sua Esquadra e não haveria promoção que lhe não fosse parar aos ombros!

POSEE!

Anónimo disse...

Nos ombros do Cleto??? Só se for a promoção da saca de batatas de 50 Kg do Feira Nova!

CLETO PARA A ESTIVAA!