quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ai que eu estou tão feliz!...

... e como a minha generosidade é proverbial, não resisto a vir aqui partilhar tamanha alegria com os meus queridos amiguinhos!

É que vocês nem sonham o que eu, debalde - dupla felicidade, poder usar este advérbio que me é tão caro -, tenho perseguido esta música há anos sem fim! A minha gorda pasta intitulada Pérolas do Kitsch, com as subpastas Portuguesas e Estrangeiras, está agora muito mais rica! Não, isso já era antes! Milionária, isso sim! Está um híbrido de Bill Gates e Warren Buffet (meros testas-de-ferro, não perguntem, se não querem ouvir...) em matéria de kitsch!

Convosco, esse portento que é Eu tão Só, pelo afamado Conjunto Académico João Paulo - versão nacional e de fazer chorar as pedras da calçada de Et Pourtant, do gigantesco Aznavour.

E aviso já que a Grafonola Kitsch vai voltar em força, que descobri mais algumas preciosidades bem jeitosas...

2 comentários:

Anónimo disse...

16 de Maio de 1975

- O República publica o que ficará conhecido como o “documento Veloso”. É uma lista de cerca de 70 saneamentos a efectuar na RTP. Começa assim: “Funcionários da RTP a sanear (lista provisória), baseada em factos objectivos e subjectivos, conhecido o seu passado e presente na empresa”. Entre as razões susceptíveis de justificar o saneamento incluem-se: “sogro do dr. ...”; “quase de certeza corrupto”; “nenhum passado antifascista, talvez antes pelo contrário”; “beato fascizante, cunhado de...”; “atrasado mental”; “frustrado homossexual eventualmente não activo”; “amante de... (já saneado)”. A autoria da lista é atribuída a “elementos da célula do PCP da RTP”. Saber-se-á mais tarde que o autor é Manuel Jorge Veloso, crítico de jazz e militante comunista.

- O juiz absolveu Fernando dos Santos Gonçalves, antigo militante da Acção Revolucionária Armada (ARA), organização clandestina armada do PCP, que se encontrava detido há um mês, acusado de ter retirado em 1965, da delegação local do Banco Totta Aliança, a quantia de 13 mil contos, e que havia sido condenado à revelia, no tribunal daquela comarca, a 15 anos de prisão. Vinte testemunhas disseram, perante o tribunal, aquilo que o povo já sabia: “o dinheiro retirado do banco destinou-se a acções revolucionárias que contribuiram para que acontecesse o 25 de Abril”. Num desses depoimentos, o escritor e jornalista Carlos Coutinho afirma que “esse dinheiro saiu de mãos onde não devia estar e foi para mãos onde devia estar” e rematou: “um revolucionário, depois do 25 de Abril, deve julgar e não ser julgado”. O advogado de defesa, Fernando Luso Soares, “para mais cientificamente demonstrar a correcção de atitude” do réu, citou Brecht, Lenine, Cunhal e Althusser.

- “Em nome do tribunal, quero dizer-lhe que lamento profundamente este mês que passou na prisão. E julgador e julgado abraçaram-se, logo esse abraço se multiplicando pela assistência”.
(“Militante antifascista finalmente amnistiado”, in O Século)

ANTIFASCISTAS NUNCA SÃO CRIMINOSOSS!

Anónimo disse...

17 de Maio de 1975

- “A dinâmica da revolução ultrapassará os partidos”.
(Ideólogo e camarada Otelo, in Expresso)

- “Pedimos desculpa por esta democracia. A ditadura segue dentro de momentos.”.
(Frase anarqusita nos muros de Lisboa, in Expresso)

- O Ralis (nova designação do RAL 1) volta à ribalta da revolução. Militantes do MRPP, entre os quais quatro furriéis do regimento, prendem um ex-fuzileiro afecto ao ELP. As suas denúncias levam o MRPP a efectuar novas detenções. Os presos são levados para o Ralis, onde se reclama um julgamento popular. O comando, porém, prende os militantes maoístas.

JULGAMENTOS POPULARES, SEMPREE!