terça-feira, 27 de maio de 2008

O jantar de sexta-feira

O António e eu fomos os primeiros a chegar, encontrámo-nos na garagem uns bons dez minutos antes da hora marcada - aquilo é que era vontade de confraternizar! Entretivemo-nos a ver uma exposição de pintura doada à ANF por um associado que, aparentemente, tinha muito dinheiro para gastar e pouco gosto para o fazer. Tinha lá alguns nomes famosos, que tinha; mas basicamente fizemos uma troça impiedosa.

Primeira surpresa, quando subimos ao primeiro andar: o habitual carrinho com aperitivos sólidos e líquidos não estava à nossa espera. Aliás, aquilo estava excepcionalmente silencioso. Intrigados, abrimos a porta da sala da Direcção, por tradição a dos nossos jantares. Não havia mesa posta... não havia nada!

Fui em busca do gerente, que nos indicou uma mesa já preparada na sala de jantar, a pretexto de desta vez sermos muito poucos. Não fui na conversa: a escorrer fascínio, toda eu encanto, bater de pestanas e voz persuasiva, lá o convenci a arranjar-nos a sala ao lado da da Direcção, mais pequena. Teresa 1 - ANF - 0, pois então!

A Vanda, como sempre - tirando aquela vez em que se esqueceu do jantar e foi fazer compras para o Colombo -, foi pontualíssima. O Ricardo chegou a seguir (cá uma brasa! - mas as opiniões dividem-se, eu e a Leninha gostamos mais de o ver assim, a Vanda prefere vê-lo de cabelo muito curto), aparecendo o João uns dez minutos depois. Com a tristíssima notícia que já vos dei, e que nos afligiu imensamente. Um fim de tarde magnífico, de frente para o rio, num cenário encantador.

Nessa altura já tínhamos tudo condignamente preparado para nos receber, e pudemos atacar nos aperitivos - fabulosas, as empadinhas de atum!

Cá temos o Zé Manel, com o meu gin tónico já a postos...

A Leninha, como é habitual, foi a última a chegar, ainda depois do Miguel. Deve estar a viver uma fase muito boa, como todos comentámos, estava gira que se fartava!

Eu tinha confirmadas mais duas presenças, dois retardatários, que, por razões diferentes, não podiam jantar: o João N., àquela hora ainda num avião que só aterraria às onze, e o conviva-surpresa, uma estreia no grupo, cujo nome só revelei quando me convenci de que já não viria. Que pena tê-lo feito! Cinco minutos depois telefonava-me ele, perdido na Praça José Fontana, frente ao Liceu!!! A fotografia aérea que aqui publiquei na sexta-feira foi a causa da confusão.

E aqui está ele, o novo membro do grupo:

O Rui Vasco, pois claro! Mais uma celebridade!

Foram momentos emotivos, ó se foram - nenhum de nós o via há perto de trinta anos. E sobre esta noite podem ler o que ele escreveu... que o rapaz também é blogger. Deu-lhe o muito sugestivo título de Peggy Sue casou-se, ontem à noite. Eu fui.

Nota negativa da noite: ainda estávamos à espera do João N. - que acabaria por não aparecer, foi directamente do aeroporto para casa, a filha pequenina com varicela -, fomos implacavelmente corridos, pouco passava das onze e meia. Considerando que já tínhamos deixado coisa de trinta euros de gorjeta, as bebidas finais já foram pagas à parte... parece-me que talvez no próximo jantar seja de equacionar a hipótese de mudar de poiso.

2 comentários:

Anónimo disse...

27 de Maio de 1975

- A Assembleia do MFA, reunida durante 16 horas no Centro de Sociologia Militar, em Lisboa, aprovou uma fórmula para reforçar a aliança Pvo-MFA, criticou os dirigentes do PS e reafirmou o seu apoio a Vasco Gonçalves.

- Otelo Saraiva de Carvalho disse aos jornalistas que as lutas partidárias “não interessam abolutamente nada ao Povo Português”. Do ponto de vista do comandante do Copcon, só há uma possibilidade de ultrapassar essas divisões: “O MFA assumir por inteiro a liderança do processo, ultrapassando as cúpulas partidárias e fazendo uma ligação directa às bases”.

- “Foram detidos pelo Copcon, em Lisboa, quatro elementos reaccionários pertencentes a um Núcleo de Informação da Junta Revolucionária da Madeira. Os detidos preparavam-se para ler um texto relacionado com a prisão da direcção fascista do Diário da Madeira”
(in O Século)

- O Diário Popular foi procurado por elementos da Comissão de Trabalhadores do Muxito, a estância balnear neste momento transformada em Comuna Che Guevara. “A nós tanto nos interessa que esteja lá a Fineme como a FSP, como isto ou como aquilo, o que nós queremos é que nos garantam o direito ao trabalho. Enfim, queremos saber é quem nos paga!

OCUPEM, MAS VENHA DE LÁ O DINHEIRINHOO!

Anónimo disse...

28 de Maio de 1975

- O PRP critica o PCP e o PS e insta a “que os militares progressistas assumam toda a responsabilidade revolucionária (...) e que os trabalhadores se organizem em Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros (CRTSM)”, nos quais deverá basear-se “o verdadeiro Exército Revolucionário”.

- O poeta Melo e Castro defende que os escritores passem a ser considerados “trabalhadores da palavra e da cultura”, com direito a remuneração.

- As cadeias Pão de Açúcar, A. C. Santos e a antiga Nutripol passam a chamar-se “Supermercados do Povo”, decidiram os seus 3300 trabalhadores.

- Os trabalhadores da Rádio Renascença ocuparam os estúdios e emissores de Lisboa. A RR deixa de se apresentar aos ouvintes como “emissora católica portuguesa”; o seu novo slogan é...

RÁDIO RENASCENÇA AO SERVIÇO DOS TRABALHADORESS!