Ao contrário do que acontece com a Teresa Leandro, que se lembra de tudo e mais um par de botas no que ao Camões diz respeito, eu lembro-me de pouca coisa. Ficaram memórias dos Jogos do Mata no Pátio, os plátanos tão verdes ou tão despidos de folhas presenciando o nosso vício em cada um dos intervalos. Mas os 20 minutos do grande é que rendiam e eu bem me lembro: A Luísa Mirones, a Crista, a Luísa Contreiras, a Teresa Leandro, a Vanda, a São, todas a fugir do ringue, que ninguém queria morrer!
Uma memória que também persiste no tempo é a da Professora de Português, a Dra. Maria Helena Teixeira Ferreira (lá está, valeu-me a Teresa para me recordar o nome...) que me fez ganhar gosto pela nossa língua e literatura e ter sempre presente que uma boa professora faz toda a diferença, conseguindo como por magia transformar em puro prazer o que poderia ser deveras aborrecido.
Mas quando me lembro do Liceu e dos colegas, há um episódio que ainda hoje me faz rir. Não sei se ainda se lembram do Gregório e do Cardoso, um "parzinho de jarras" sempre armados em engraçadinhos, mas nem precisavam, um muito alto, louro e carregadinho de acne, o outro baixo e moreno, só olhar p'ra eles já era um fartote. Pouco bonitos, muito desengonçados, ambos. Aquelas almas andavam sempre a aprontá-las e, (principalmente o baixinho) volta e meia iam para a rua. Já não me lembro em que aula foi, mas os disparates repetiram-se, e, um a seguir ao outro, foram mandados sair pelo professor (acho que depois se ficava com uma falta de comportamento, Teresa ajuda-me lá...). E de que se foram lembrar, os meninos? Já fora da sala, o Cardoso salta para as cavalitas do Gregório e toca de passar rente à parede, rés-vés às janelas altas. Dentro da sala, a turma inteira explode em gargalhadas, não resistindo àquela visão do Cardosinho armado em Cardosão. (E eu quase que apostava que o professor deve ter tido dificuldade em manter a compostura...)
Ana Cristina Pinto (a "Pinta", como diria a Dra. Helena)


3 comentários:
Já deste episódio lembro-me perfeitamente, parece que foi ontem, ninguém diria que passaram quase 40 anos!
Ou julgas que foi só a tua turma, a B, a beneficiar do espectáculo? A nossa ficava ao lado, e de repente todos vimos o Cardosinho a passar de braços erguidos e vitoriosos aos ombros do Gregório, que não víamos - mesmo sendo altíssimo, as janelas das nossas salas eram ainda mais altas.
Foi um regabofe para a turma A. Estava capaz de jurar que estávamos a ter Matemática, com o Dr. Gião. Don't get me started on him!!!
Até eu me ri e não assisti ao episódio, pois vocês são de anos posteriores com turmas mistas. Eu sou da primeira leva de raparigas. Mas no 5. ano a Dra. Maria Helena foi também minha professora de Português e subscrevo integralmente o que a Ana Cristina diz sobre ela. Fazer adolescentes de 15 e 16 anos gostarem dos Lusiadas de que toda a gente se queixava, só pode vir de uma grande professora.
Lembro-me de um episódio em que ela ia começar a aula e começou por nos tratar por criaturas (coisa que ela fazia frequentemente). Uma colega minha teve a audácia (foi uns meses antes do 25 de Abril) de interpelar a professora dizendo-lhe: "Oh s'toura, não nos trate por criaturas; nós não somos galinhas!". E a Dra. Maria Helena, muito calmamente respondeu: "Mas não é preciso serem galinhas para serem criaturas; criatura é tudo o que se cria!"
Lembro-me perfeitamente dos 2Ó criatura!" da Dr.ª Maria Helena, tinha o hábito de nos tratar assim.
Outra frase recorrente dela, e que muito nos faia rir, era "Eu ainda não estou cheché!"
Querida Dr.ª Maria Helena!
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